Recebeu uma proposta PJ? Veja o que avaliar antes de abrir um MEI

Recebeu uma proposta PJ? Veja o que avaliar antes de abrir um MEI

Enquadramento da atividade, direitos trabalhistas, autonomia e custos assumidos pelo profissional estão entre os pontos que devem ser considerados na mudança

Receber uma proposta para deixar um emprego com carteira assinada e passar a prestar serviços como pessoa jurídica muda a forma de receber pelo trabalho e também a maneira de organizar a vida profissional. Antes de comparar os valores oferecidos nos dois modelos, é preciso considerar uma série de fatores que envolvem tanto as condições da contratação quanto as responsabilidades assumidas por quem passa a atuar com um CNPJ.

Dados da MaisMei mostram que 17,81% dos microempreendedores consultados buscaram a categoria como caminho para formalizar a atividade por meio de um CNPJ. Para quem considera fazer essa transição a partir de uma relação CLT, é importante entender que a abertura do MEI não significa por si só uma mudança na natureza da relação de trabalho.

Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano e precisa exercer uma das ocupações permitidas para a categoria. O limite é proporcional no ano de abertura, considerando R$ 6.750 por mês de atividade. Há uma proposta em tramitação no Congresso Nacional para elevar o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, mas a mudança ainda depende de aprovação. Também não é permitido ser titular, sócio ou administrador de outra empresa, ter filial ou contratar mais de um empregado.

O formato da contratação também precisa ser considerado antes da abertura do CNPJ. A prestação de serviços como PJ é uma modalidade legítima de trabalho, desde que as partes estejam cientes das condições e a relação seja compatível com esse modelo. O MEI pode prestar serviços para uma ou mais empresas, inclusive concentrando a prestação em um único cliente, desde que a relação não seja utilizada para substituir um vínculo de emprego quando estiverem presentes características como pessoalidade, subordinação e habitualidade. Exigências como cumprimento de jornada fixa, submissão a ordens diretas de um superior e impossibilidade de enviar outra pessoa para realizar o serviço podem indicar a existência de vínculo empregatício, dependendo do conjunto de condições da contratação.

“A primeira pergunta não deveria ser ‘como eu abro um MEI?’, e sim ‘essa atividade cabe no MEI?’. Além de verificar se a ocupação é permitida, o profissional precisa avaliar a autonomia que terá na prestação dos serviços e se as condições negociadas são financeiramente vantajosas. Trabalhar como PJ pode abrir oportunidades e ampliar o potencial de renda, mas a decisão precisa fazer sentido do ponto de vista profissional, econômico e legal”, explica Kályta Caetano, contadora da MaisMei.

O que entra na conta antes de aceitar a proposta

Depois de verificar se o enquadramento é possível, é preciso avaliar financeiramente a mudança. Em uma contratação com carteira assinada, direitos como férias remuneradas com adicional de um terço, 13º salário e FGTS fazem parte da relação de emprego. Na prestação de serviços como pessoa jurídica, esses itens não são incorporados automaticamente ao contrato comercial. Outro ponto é a proteção previdenciária: o MEI contribui ao INSS sobre o salário mínimo, o que influencia o valor dos benefícios. Quem deseja ampliar essa proteção pode avaliar outras formas de contribuição, conforme as regras previdenciárias e sua realidade financeira.

Despesas necessárias para exercer a atividade, períodos sem faturamento e condições negociadas com a empresa contratante também interferem nessa conta. Por isso, não existe um percentual único que determine quanto uma proposta PJ precisa pagar a mais para compensar uma contratação CLT.

“O erro é comparar apenas o salário líquido da CLT com o valor oferecido como PJ. A contratação com carteira assinada envolve direitos que também fazem parte dessa equação. Já como PJ, o profissional pode ter mais liberdade para negociar sua remuneração, mas precisa considerar impostos, despesas, períodos sem faturamento e a própria segurança financeira. Não existe uma modalidade que seja sempre mais vantajosa. O que determina isso são as condições da proposta e a realidade de cada profissional”, orienta Kályta.

Para quem se enquadra como MEI, a formalização é gratuita. Em 2026, o DAS mensal é de R$ 82,05 para comércio ou indústria, R$ 86,05 para prestação de serviços e R$ 87,05 para quem exerce atividades sujeitas aos dois impostos. O pagamento reúne a contribuição ao INSS e os valores fixos de ICMS e/ou ISS correspondentes à atividade. O recolhimento simplificado e os valores fixos mensais podem representar uma vantagem para quem atua dentro dos limites de faturamento e das regras da categoria.

Depois da abertura do CNPJ, o profissional passa a lidar com obrigações que precisam ser acompanhadas ao longo do ano, como emissão de notas fiscais, pagamento do DAS e declaração anual. Na MaisMei, esses serviços ficam reunidos em um mesmo ambiente, onde o microempreendedor também pode acompanhar informações do CNPJ e acessar suporte especializado para cuidar da regularização do negócio.

Crédito da imagem – Pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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