Black Friday: varejo brasileiro deve movimentar R$ 296,8 bilhões em novembro

Vendas do mês devem recuar 2,5% em relação a 2025
Um dos eventos mais aguardados do comércio, a Black Friday chega em um cenário de crescimento moderado do varejo brasileiro. Estimativas do IEMI – Inteligência de Mercado indicam que o varejo restrito deve faturar R$ 296,8 bilhões em novembro de 2026, uma queda de 2,5% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o volume financeiro alcançou R$ 304,4 bilhões.
As projeções foram elaboradas com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e consideram o varejo restrito, indicador que abrange segmentos como supermercados, vestuário, calçados, móveis e eletrodomésticos, entre outros. No acumulado do ano, a expectativa é de faturamento de R$ 3,43 trilhões, avanço de 0,9% em comparação aos R$ 3,4 trilhões registrados em 2025.
Apesar da perspectiva de crescimento anual, novembro deve responder por 8,7% do faturamento do varejo em 2026, abaixo dos 9% registrados em 2025 e 2023 e dos 9,1% de 2024. O resultado projetado reforça um cenário mais desafiador para as vendas no mês da Black Friday, exigindo atenção às estratégias comerciais e à competitividade das ofertas.
Na avaliação de Marcelo Prado, diretor do IEMI, a Black Friday deve ser analisada dentro de um contexto de crescimento moderado. A data representa uma oportunidade para o varejo estimular as compras, mas o resultado depende da disposição dos consumidores para gastar e da capacidade das empresas de oferecer condições competitivas.
“A projeção indica que a Black Friday de 2026 acontecerá em um ambiente de maior cautela no consumo. Isso não significa ausência de oportunidades, mas exige do varejo estratégias mais eficientes de preço, condições de pagamento e comunicação das ofertas. O consumidor tende a comparar mais antes de decidir, e as empresas precisarão demonstrar vantagens reais para converter o interesse em vendas”, analisa Prado.
Plataformas internacionais podem acirrar a concorrência
As expectativas de vendas durante a Black Friday convivem com desafios para o varejo de moda nacional. A eventual retirada da chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais de baixo valor, pode ampliar a competitividade das plataformas estrangeiras, pressionando os preços e tornando ainda mais desafiadora a disputa por consumidores na principal data promocional.
Para a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), entidade que representa mais de 100 marcas do varejo de moda nacional, a Black Friday reforça a importância de assegurar condições equilibradas de concorrência entre as empresas instaladas no Brasil e as plataformas internacionais que comercializam produtos para o mercado nacional.
A entidade defende a isonomia tributária e regulatória como condição essencial para preservar a competitividade do varejo, estimular investimentos e fortalecer a geração de empregos. Nesse contexto, eventuais mudanças na tributação das compras internacionais de baixo valor devem considerar seus impactos sobre as empresas que operam no país e cumprem as obrigações previstas na legislação brasileira.
“A Black Friday é uma oportunidade importante para o varejo e para os consumidores, mas também evidencia a necessidade de condições justas de concorrência. As empresas instaladas no país cumprem obrigações tributárias, trabalhistas e regulatórias, investem na economia e geram empregos ao longo de toda a cadeia produtiva. Defendemos que as plataformas internacionais estejam sujeitas a regras equivalentes, para que a competição aconteça de forma equilibrada, sem comprometer a capacidade de investimento e o desenvolvimento do setor”, afirma Edmundo Lima, presidente da ABVTEX.
Em um cenário de consumo moderado e concorrência acirrada, a Black Friday coloca em evidência tanto a capacidade do varejo de oferecer promoções atrativas quanto a importância de condições equilibradas de competição. A combinação desses fatores será relevante para que o movimento de compras contribua para os resultados do comércio e gere oportunidades ao longo da cadeia produtiva nacional.








