Pandemia força jovens a retornarem para casa dos pais e self storages crescem

Pandemia força jovens a retornarem para casa dos pais e self storages crescem

Para muitos jovens em todo o mundo, o sonho de deixar a casa dos pais em busca da formação acadêmica precisou ser adiado – ou repensado – neste ano. Com a chegada da pandemia da Covid-19, a migração das universidades para o modelo de aulas online e as recomendações de isolamento social fizeram com que diversos estudantes buscassem novamente a casa dos pais para, mais tarde, recomeçarem a trajetória de independência. 

Esse foi o caso dos estudantes Pedro Wilson Silva, de 23 anos, e Lorrayne Moraes Borges, de 21, que retornaram de Curitiba (PR) para João Pessoa, na Paraíba, e Paranavaí, no interior do estado, para aguardar a normalização das aulas na capital paranaense.

“No começo da pandemia ainda era muito incerto quanto tempo a situação ia durar. Voltar para a casa dos meus pais foi uma forma de ter mais segurança, poder ajudar a família e ser ajudado por ela também. Além disso, ficar em Curitiba não fazia tanto sentido com a universidade sem previsão de retorno às aulas e a empresa em que trabalho estabelecendo regime de trabalho remoto”, conta Silva, estudante de Sistemas de Informação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). 

Com o movimento, um dos setores que sentiu a mudança foi o de self storages. Os jovens têm a opção de deixar os imóveis que alugam, mas precisam de um local para guardar os móveis e pertences até que a situação se normalize. “Além de não ter que me preocupar com todos os afazeres gerais da casa, economizar o valor do aluguel é com certeza um ponto positivo dessa mudança. Depois de esvaziar o quarto que eu alugava, surgiu a ideia do self storage, já que eu precisava de um lugar para deixar meus pertences enquanto estivesse fora da cidade. Tinha como referência a série Dexter, então, pesquisei na internet e encontrei algumas empresas que oferecem o serviço no Brasil”, diz Lorrayne, estudante de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Na Espaço A+ Self Storage, empresa escolhida por Pedro e Lorrayne para armazenar seus pertences até o retorno, os estudantes representam 8% dos clientes da empresa. Além disso, registrou um aumento de procura significativo de demandas pelo mesmo motivo, com aproximadamente 30 buscas desde março, mês em que a pandemia chegou ao Brasil. “Temos percebido esse aumento e a tendência é que em 2021 isso se intensifique ainda mais”, projeta a gerente de operações da Espaço A+ Self Storage, Rousy Mary Rojas. 

Com esse aumento, surge a preocupação com o desempenho acadêmico dos estudantes e a permanência na faculdade. De acordo com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), 42% dos estudantes matriculados no ensino superior privado afirmam que há um risco de abandonar os estudos. 

Para Daniel Medeiros, doutor em Educação Histórica e professor do Curso Positivo, a longa e indeterminada duração da pandemia pode interferir no desempenho dos alunos e até na sua permanência no curso. “Quando o processo começou, em março, havia uma expectativa de semanas, um mês, no máximo. Lembro que a interrupção das aulas, naquele momento, até não chegou a ser pensada como um problema, mas um adiantamento de férias ou semanas de descanso. Mas logo o quadro gravíssimo se concretizou e o cenário foi de interrupção, rompimento. Muitos jovens simplesmente não suportaram a nova rotina e desistiram. Nosso desafio agora é reconectá-los. A volta às aulas presenciais terá um tanto de estranhamento e de adaptação, como uma espécie de fisioterapia. Não podemos ignorar essa dificuldade e precisamos pensar em formas de torná-la mais suave e positiva”, afirma. 

Pedro conta que no início, pensou em desistir do curso, mas o apoio presencial da família tem sido um fator positivo no meio de tudo. “Quando a universidade estava sem previsão de retorno, em meados de julho, eu pensei em desistir. Mas decidi persistir e vou terminar meu curso em Curitiba. E mesmo com esses problemas, estar com a família é algo bom, principalmente porque durante um ano normal costumo passar em torno de duas semanas na minha cidade natal, e agora pude passar quase um ano, isso é muito bom, não pensei que teria a oportunidade novamente de passar tanto tempo com minha família”, diz o estudante. 

E o apoio familiar é a dica chave para que os estudantes possam passar por esse período de forma sutil e com menos impactos. Segundo Daniel, os pais têm papel essencial ao oferecer conforto e afeto para os filhos, independente se são crianças estudando na sala de estar ou acadêmicos voltando para casa.

“Aqui a dica é fundamental: paciência, conforto e companhia. Seus filhos estavam acostumados com a presença dos amigos, com a rotina da escola, com as brincadeiras nas aulas, com o contato com os professores, etc e, de repente, tudo mudou. E eles são tão jovens! O conforto afetivo, principalmente afetivo, é muito importante nessas horas. E não os deixem sós por muito tempo. Sempre que possível, entrem no quarto deles, ofereçam algo ou simplesmente deem um beijinho em suas cabeças”, orienta o professor. 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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