Publicação independente ganha espaço diante da crise do mercado editorial

O mercado editorial vem enfrentando dificuldades, nos últimos anos, apesar de o brasileiro estar lendo mais. A explicação está na publicação independente de livros, que tem tomado o lugar das editoras tradicionais. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Editores de Livros (SNEL), dos 46.828 livros publicados no Brasil, em 2018, mais de 22% foram de autores independentes.
Uma maneira de publicar um livro com um baixo custo é optar pelo formato digital, os e-books, que podem ser baixados e lidos na tela de computadores, tablets, smartphones e leitores digitais (os e-readers). Além do fácil acesso, os livros digitais conquistaram o mercado brasileiro também pela economia de espaço e pelo fato de serem expressivamente mais baratos que os impressos.
O que tornou possível publicar um livro sem precisar submeter o texto à aprovação de uma editora foram as plataformas de autopublicação criadas por grandes e-commerces de e-books. As duas maiores delas chegaram ao Brasil em 2012: a Kindle Direct Publishing (KDP), da Amazon, e a Writing Life, da Kobo (representada no país pela livraria Cultura). A Saraiva seguiu o movimento lançando, no ano seguinte, sua própria plataforma de publicação independente, a Publique-se.
A publicação independente não atrai somente os escritores estreantes, mas também nomes conhecidos do público, com obras já publicadas por grandes editoras, como Paulo Coelho e Augusto Cury. Mas o que leva escritores renomados a publicar seus livros de forma autônoma? Eles, assim como os aspirantes à autores do próximo best seller, gostaram da ideia de desviar da burocracia das editoras e ter maior controle sobre a própria obra, uma vez que o livro pode ser editado dentro da plataforma quantas vezes o autor achar necessário. Além disso, é possível receber até 70% dos direitos autorais, enquanto as editoras comerciais costumam repassar aos autores 10% de royalties por cópia vendida.
Como publicar um e-book sem uma editora tradicional
Nas plataformas dos e-commerces Amazon e Kobo, a publicação é gratuita e cabe ao autor selecionar os territórios onde ele deterá direitos de distribuição, definir o preço do seu livro, assim como a porcentagem de royalties que deseja receber pelas vendas. O valor é repassado por depósito em conta diretamente ao autor, mensalmente, no caso da KDP, e duas vezes ao ano, pela Kobo.
Para os autores, as vantagens da publicação independente são evidentes. E para os leitores? Uma delas é a oportunidade de encontrar livros que abordam temáticas escassas nas livrarias, já que as editoras costumam apostar em nichos que tem maiores garantias, do ponto de vista comercial. Mas existe público para esses nichos pouco explorados pelas editoras? A resposta é “sim”. A prova disso é que, na lista semanal dos 100 livros mais vendidos pela Amazon, no Brasil, em torno de 30 são de autopublicação.
O que fazer antes de partir para as plataformas de autopublicação
Embora a autopublicação tenha facilitado a vida de quem está iniciando nesse mercado, compartilhar um livro digital com um conteúdo falho pode ser um risco para a credibilidade do autor independente.
Muitas pessoas desejam compartilhar experiências ou conhecimento em suas áreas de atuação, mas não têm intimidade com a escrita. Por isso, o trabalho invisível dos editores e revisores é tão importante para o lançamento de uma publicação de qualidade.
Como alternativa às editoras comerciais, que se encarregam de todo o processo de edição e revisão do manuscrito aprovado para publicação, existem prestadores de serviço que auxiliam autores independentes a transformar o conteúdo original em um produto útil e acessível para o público.
É essa a proposta da AB Livros Digitais. “A revisão vai muito além de encontrar erros gramaticais e ortográficos. O objetivo é trabalhar em sintonia com o autor, em cada etapa da preparação do original. Isso envolve sugerir mudanças estruturais no enredo, encontrar lacunas deixadas no momento da escrita, erros que comprometem a clareza e coesão do texto”, diz Fernanda Ábila, redatora e editora da AB.
Além da lapidação do conteúdo, editores e designers profissionais também podem auxiliar o autor na escolha de um bom título e na criação da arte da capa, elementos que certamente influenciam a decisão de compra de um potencial leitor.








