Negociação extrajudicial de dívidas é alternativa para os negócios que estão inadimplentes

Negociação extrajudicial de dívidas é alternativa para os negócios que estão inadimplentes

Mais de cinco milhões de micro e pequenas empresas em todo o País estão inadimplentes e buscando alternativas para não fecharem as portas. Nesse cenário de dificuldades, a negociação extrajudicial de dívidas é uma opção vantajosa tanto para credores como para devedores. Ou seja, através de um acordo direto, por meio de diálogo, pode haver um acerto, sem a intervenção da justiça.

Com isso, há uma redução considerável de gastos, na medida que não existe o pagamento de custas processuais. Entretanto, o principal benefício, é a agilidade, pois a negociação depende somente da disponibilidade de credor e devedor, podendo ser resolvida num prazo pequeno. Já um processo no Judiciário, pode demorar anos até ser concluído, com desgaste das partes.

Eu conversei com o advogado e mentor jurídico de empresas, André Aléxis de Almeida, e ele me explicou que a negociação extrajudicial pode ser realizada por empresas inadimplentes de todos os tamanhos. Segundo o especialista, cada tipo de credor vai influenciar na negociação, sendo inúmeras as possibilidades, desde, é claro, que não envolva um objeto ilícito. Pode-se trabalhar com o acréscimo de juros, com a prorrogação de parcelas, com desconto para pagamento antecipado, ou a entrega de um bem em garantia.

Também é interessante durante o procedimento de negociação extrajudicial, contar com a ajuda de um advogado. Em um trabalho realizado em conjunto com os responsáveis pela administração e contabilidade da empresa, o profissional poderá mapear as dívidas e traçar um plano de ação para que os débitos sejam renegociados e, quitados.

André Almeida também ressalta que apesar de a negociação extrajudicial não requerer comprovantes específicos, com reconhecimento em cartório de títulos, é pertinente considerar a presença de alguns documentos de formalização, como o contrato que renegocia ou extingue a dívida antiga para criar uma nova operação chamada de “novação”.

O embasamento legal está no inciso III do artigo 784 do Código de Processo Civil de 2015, que prevê que documentos particulares assinados pelo devedor e por duas testemunhas são considerados títulos executivos extrajudiciais.

É claro que se deve trabalhar para que o acordo firmado extrajudicialmente seja cumprido, mas esses documentos são fundamentais para dar uma garantia ao credor de que ele poderá acionar a Justiça caso o devedor não cumpra com o combinado.

Marco Legal do Reempreendedorismo

A facilitação da reestruturação de dívidas de PMEs é objeto, inclusive, de um Projeto de Lei Complementar (PLP) que tramita no Congresso Nacional. O PLP 33/2020, de autoria do Senado Federal, cria o Marco Legal do Reempreendedorismo, que busca estimular a negociação extrajudicial de dívidas e permite a renegociação simplificada em juízo ou a liquidação mais rápida de bens para quitar débitos. O objetivo é tornar o processo de recuperação das empresas menos oneroso e mais ágil.

O projeto ainda amplia o conceito de PMEs e conta com dispositivos que visam facilitar procedimentos como baixa cadastral, além de alterar prazos e carências e possibilitar a concessão de justiça gratuita, caso haja a necessidade de se recorrer ao Judiciário, dependendo da situação financeira do negócio. O Marco Legal do Reempreendedorismo já foi aprovado no Senado e segue em tramitação na Câmara dos Deputados.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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