Brasileiro está viajando mais, casando mais e gastando mais em seus momentos de lazer

A viagem dos sonhos, os planos de casamento, o happy hour com os amigos e tantos outros projetos que tiveram que ficar parados por conta da pandemia dão indícios de retorno. Consumo em bares, cinemas, parques, combustíveis, pedágios e até multas de trânsito voltaram a crescer, conforme aponta o terceiro relatório de Análise do Comportamento de Consumo do Itaú Unibanco, relativo ao segundo trimestre deste ano. Outros segmentos como o de viagens e hotelaria também estão em aquecimento, indicando que o brasileiro está retomando a rotina, em modo “novo normal”.

Com os aprendizados de convívio neste contexto, a vacinação em curso e a flexibilização das medidas de isolamento social, o comércio se mostra em recuperação. O turismo, que teve queda de 90% no faturamento no pior momento da pandemia, está entre os ramos que iniciam esse processo de retorno, com crescimento de 257,3% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período de 2020.
As companhias aéreas e o setor hoteleiro, considerando hotéis, motéis e pousadas, foram os que mais se destacaram e registraram um aumento três vezes maior do que no ano anterior, com crescimento de 237,1% e 255,8% respectivamente. Apesar deste desempenho, é importante ressaltar que o consumo no setor ainda está abaixo dos patamares pré-pandemia.

Do isolamento ao altar

Também chama a atenção o setor de casamentos. Se em 2020 os planos dos noivos foram frustrados, em 2021 as pessoas estão saindo do isolamento para o altar. A celebração voltou a ser destaque no segundo trimestre de 2021, mesmo que de forma adaptada às novas condições sanitárias. As agências matrimoniais e buffets tiveram crescimento de 97,4% no faturamento, na comparação com o mesmo intervalo de 2020.
Mas, na comparação com 2019, houve queda de 51% – cenário que pode indicar represamento da demanda devido às restrições do isolamento social que, em certa medida, ainda vigoram. Com a volta das cerimônias, segmentos como aluguéis de roupa e joalherias foram impactados positivamente e tiveram crescimento de 214,9% e 129,9%, respectivamente.

Mais lazer e bem-estar

As pessoas se cuidaram e se divertiram mais no período visado pelo estudo. O consumo relacionado às atividades de bem-estar, como spas, centros estéticos, massagistas e manicure, tiveram aumento de 90,7% no segundo trimestre, ante igual intervalo de 2020. Os bares, tão prejudicados pela pandemia, voltaram a ver as suas mesas mais animadas e tiveram crescimento de 153,5%, sinalizando aceleração do setor.

Destaque também para o segmento de lazer, considerando clubes, cinema, teatro, boliche, sinuca, além de parques e escolas de dança. Nesse setor, houve crescimento de 176,6% no faturamento, no segundo trimestre de 2021, na comparação com igual período de 2020.

Outro segmento que indica retomada é o de locomoção e transporte (transporte de passageiros, postos de combustíveis, recarga de cartões como o Bilhete Único, multas de trânsito, estacionamentos e pedágios), que apresentou aumento de 98,4% no segundo trimestre deste ano, com relação ao ano anterior. Mais uma constatação interessante está relacionada aos serviços de mudança, que tiveram salto de 67,1% – o que sugere que as pessoas estão buscando residências com mais espaço e/ou conforto, para um home office mais agradável.

Datas especiais

No feriado de Tiradentes, os dados indicam que as pessoas buscaram mais lazer. O grande destaque foi para o setor de hotéis, motéis e pousadas, com crescimento de 381,5% na comparação com a semana da data no ano anterior, e o aluguel de automóveis, que teve aumento de 142,1%.

No Dia das Mães deste ano, a maioria dos filhos e maridos optou por presentear com itens de docerias e floriculturas. Estes setores viram seu faturamento crescer 126,7% e 64,8%, respectivamente, nas compras realizadas no dia da celebração, em comparação à mesma data do ano anterior.

Já no Dia dos Namorados, que este ano caiu em um sábado, restaurantes apontaram aumento de 142% e lojas de presentes e joalherias um crescimento de 45,6%.

Compras no ambiente físico voltam a crescer

Com o relaxamento das medidas de isolamento social, as compras realizadas fisicamente no segundo trimestre do ano voltaram a crescer e representaram 78,9% das transações, contra 21,1% no online. Na comparação com igual intervalo do ano anterior, houve um crescimento de 47,2% nas compras efetuadas no ambiente físico, e 43,2% no online – em faturamento.

No ambiente físico, os segmentos que apresentaram maior crescimento no segundo trimestre de 2021 foram os atacadistas – com um aumento de 35,4% ante 2020 e lojas de materiais de construção – com elevação de 31,6% na comparação com 2020.

Vestuário e lojas de departamento apontaram recuperação neste período do estudo. Enquanto vestuário teve queda de 67,6% em 2020 ante 2019, na comparação de 2020 com 2021 apresentou crescimento de 162,1%. Por sua vez, as lojas de departamento, que tiveram decréscimo de 33,7% em 2020 com relação a 2019, apontaram aumento de 40,2% na comparação de 2021 ante 2020.

Itens de saúde, bem-estar e pet lideram na internet

Mesmo com a reabertura dos estabelecimentos físicos, as compras online entraram na rotina de muitos brasileiros e se mantêm em um patamar significativo: 21,1% das aquisições foram realizadas nesta modalidade. O valor transacionado no consumo online no segundo trimestre de 2021 teve um crescimento de 43,2%, na comparação com igual período de 2020.

Dentre as compras online, no segundo trimestre de 2021 sobressaem os setores de saúde, bem-estar e veterinários: o crescimento foi de 97,3% na comparação com igual período de 2020. Já em relação ao mesmo intervalo de 2020 ante 2019, o aumento foi de 55,6%. Além de alimentação, que apontou um salto: de 38,2% ante 2020 e de 516,7% na comparação do segundo trimestre de 2020 com mesmo intervalo de 2019.

Ainda no online, outro destaque positivo da análise vai para os segmentos de turismo e transportes, que, apesar de não terem voltado aos patamares pré-pandemia, mostram recuperação. O setor de turismo, que apresentou queda de 85,2% em 2020 ante 2019, apontou crescimento de 269,1% em 2021 com relação ao segundo trimestre de 2020. E o de locomoção e transportes, que teve diminuição de 58,9% em 2020 na comparação com igual período de 2019, mostrou aumento de 92% em 2021 ante 2020.

O crescimento de jovens da geração Z (nascidos entre 2000 e 2010) que adotaram a modalidade online no segundo trimestre de 2021, na comparação com igual período de 2020, foi de 177,3% (54,1% homens; 45,9%, mulheres). Destaque também para a geração X, com aumento de 34% (52,1% mulheres; 47,9% homens). As mulheres foram as que mais se digitalizaram e transacionaram no online, considerando todas as gerações. O aumento mais significativo foi na geração Z: garotas nessa faixa etária aumentaram em 180% os seus gastos no online; e os garotos, 175%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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