Brasileiras superam obstáculos de desigualdade de gênero e avançam para cargos de pesquisa científica

Brasileiras superam obstáculos de desigualdade de gênero e avançam para cargos de pesquisa científica

Brasil é um dos países do mundo em que a participação feminina na ciência mais cresce

Apesar de partirem de posições distintas e enfrentarem desafios não encarados pelos homens no mercado profissional de ciência e tecnologia, as mulheres têm avançado para alcançar mais posições de trabalho nos centros de pesquisa e empresas, públicas ou privadas, de inovação. A ideia de ambientes de produção científica preenchidos apenas por homens está sendo superada por outra proposta, especialmente no Brasil, um dos países do mundo em que as mulheres mais têm ocupado cargos entre os cientistas.

A professora Maria Lúcia M. Vasconcelos (foto), titular do Programa de Pós-Graduação em Letras na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e ex-reitora da instituição, explica como a conjuntura do problema acontece atualmente no meio acadêmico.

Você considera que o trabalho científico é mais difícil para a mulher?

Não vamos aqui discutir quantos leões se mata por dia para que isso venha acontecer, mas o fato é que o crescimento dessa porcentagem de mulheres na pesquisa só reforça o argumento de que sim, a mulher é capaz. Ela consegue fazer uma pesquisa de qualidade, de importância, da mesma forma que o homem. Este é mais um argumento contra a discriminação.

Embora ainda sofra com as mazelas sociais provocadas pela desigualdade de gênero no mercado de trabalho e em outros setores da República, o Brasil está entre os países do planeta que mais ampliam a participação feminina em posições profissionais e acadêmicas no campo da ciência, ano a ano. De acordo com estudo mais recente da Gender in the Global Research (Gênero no Cenário Global de Pesquisas), lançado em 2017 pela editora científica Elsevier. As informações apontam que 49% dos estudos entre 2011 e 2015 foram conduzidos por mulheres. Entre 1996 e 2000, a média de participação delas era, respectivamente, de 38% e 41%, percentual bem superior ao do Japão, país em que esse número saltou de 15% para 20% no mesmo período.

O que estes números podem representar na realidade brasileira?

Apesar destes indicadores, tanto homens quanto mulheres têm a mesma capacidade intelectual. Não deveria ser surpreendente que elas se destacassem. Não podemos esquecer o quanto a mulher precisa se esforçar para ser vista como uma igual. As coisas mudam aos poucos e, por mais que possamos celebrar os resultados positivos, devemos nos atentar que a luta ainda continua.

Segundo informações da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — Pesquisa Fapesp – as mulheres são hoje 55,2% dos alunos que ingressam no ensino superior e 61% dos que se graduam, segundo o Ministério da Educação. Desde 2003, tornaram-se maioria em número de doutores e, em 2017, alcançaram o patamar de 54% dos titulados. Se nos anos 1990 havia quase duas vezes mais homens do que mulheres na liderança de grupos de pesquisa no país, a estatística mais recente, divulgada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2016, mostra que a vantagem masculina caiu para 15%.

Como uma mulher inserida no meio acadêmico, de que maneira você percebe os desafios neste cenário?

O Brasil está na frente de países que vão crescendo, vão permitindo, vão percebendo o crescimento da participação da mulher no âmbito da pesquisa científica. A inserção da mulher neste meio é irreversível. Somos a maioria em muitos grupos e estamos ocupando estes espaços. Particularmente, sinto que sou respeitada em meu ambiente. No entanto, não posso dizer que as coisas ocorram desta forma em todos os lugares.

Você espera que haja mudanças neste cenário?

Se não houvesse esperança, não haveria luta. Se não houvesse esperança, não haveria o movimento em busca de mudança. Se vamos ganhando lentamente nossos espaços e nem por isso desistimos, é porque temos esperança. Além da jornada dupla de trabalho, somos mais exigidas e temos sempre que estar provando que somos capazes. Apesar dessas dificuldades, o motor que nos faz lutar por um mundo melhor é a esperança. Tudo pode melhorar, o que não podemos é desanimar. Vamos em frente!

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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