Com forte queda de 75% nas ações da Americanas, especialistas comentam as perspectivas para o setor

Com forte queda de 75% nas ações da Americanas, especialistas comentam as perspectivas para o setor

Com o recente anúncio do executivo Sérgio Rial em renunciar a presidência da Americanas no Brasil, as ações da empresa apresentaram forte queda de 75% na Bolsa de Valores brasileira, sendo negociada a R$ 3 por ação. Dessa forma, reunimos as avaliações e comentários dos principais executivos do setor financeiro brasileiro sobre esta repercussão e quais as principais perspectivas nos próximos meses. Veja abaixo:

Cauê Mançanares, CEO e sócio-fundador da Investo

“Em relação a descoberta de inconsistência contábil apresentada em comunicado aberto ao mercado feita pela Americanas, acredito que quando nos deparamos com uma informação desta, certamente haverá um sentimento de preocupação frente às incertezas que essa repercussão pode trazer para a empresa em si, pois são elas determinante para identificar o valor justo (em inglês, valuation) de uma empresa no mundo.

Acredito que entramos em um cenário em que ninguém sabe qual será o preço justo dessa ação que já sofreu forte queda. Por isso, o mercado, por meio do leilão na B3, dará como preço aceitável pelos acionistas para que novos investidores brasileiros possam fazer suas aplicações financeiras em ações da Americanas no Brasil. Importante destacar que acionistas como Beto Sicupira, investidor da Americanas há mais de 40 anos e sócio do Grupo 3G no Brasil, já demonstrou seu apoio à empresa no que se refere à essa recuperação de valor frente ao ocorrido.

Por fim, como CEO de uma gestora especializada em ETFs, reforço a importância da diversificação na carteira de investimentos. Ativos como o próprio ETF, que permite investir em uma cesta de produtos simultaneamente ao invés de, somente, um único ativo, é capaz de promover mais segurança e menos volatilidade em comparação aos investimentos individuais em ações ou demais produtos disponíveis na Bolsa”, explica o executivo.

Felipe Catão, CEO e sócio-fundador da plataforma de investimentos Guru

O comunicado sobre as inconsistências contábeis encontradas no balanço da Americanas é bastante negativo para os papéis da empresa. É cedo para mensurar o real impacto no caixa da companhia, em razão da falta de informações detalhadas e precisas sobre o tema. Além disso, a renúncia do Sérgio Rial do cargo de CEO da Americanas piora a situação, porque a empresa já enfrentava desconfianças no mercado por conta da desaceleração do varejo eletrônico, em meio ao cenário de juros altos no Brasil, ou seja, a saída dele complica um pouco mais, porque ficará uma governança dispersa dentro da empresa. A maioria dos analistas das principais casas colocou recomendação para os papéis sob revisão, mas ainda é um cenário nebuloso”, explicou.

Ivan Barboza, sócio-gestor do Ártica Long Term FIA

“O rombo representa 1,9x o valor da empresa no mercado até ontem, grande o suficiente para quebrar a empresa, se não conseguirem levantar capital novo para resgatar o negócio. Para o mercado como um todo, fica o receio de se apenas as Lojas Americanas estavam adotando essa prática contábil condenável ou se podem surgir rombos de natureza semelhante em outras empresas. O maior problema é que esse tipo de erro contábil é muito difícil de detectar. Se os demonstrativos financeiros não são preparados da maneira com que deveriam, só quem está vendo a empresa por dentro é que tem informações suficientes para identificar a má conduta” comenta Ivan Barboza, sócio-gestor do Ártica Long Term FIA.

Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos

O mercado está digerindo as operações das Americanas. Existe sim essa operação de risco sacado em várias empresas do Brasil. A Americanas não é a única. A grande questão era saber se já tinha pago os bancos com relação às antecipações que foram feitas aos fornecedores. O problema é ter uma reclassificação. A Americanas vai ter liquidação antecipada as suas dívidas, que causaria aí um problema gigantesco para a companhia.

Temos que ver como será feito esse processo para que se evite essas antecipações, dessas debêntures. A sobrevida da companhia é muito importante. Existe muita dívida na mão do mercado, obviamente está pulverizado. Precisamos acompanhar o desenrolar do dia e como vai ser a marcação dos títulos de renda fixa de crédito privado.

As pessoas estão olhando basicamente as ações, mas acho que o maior impacto, além das ações, são para os fundos de crédito privado que têm participações nas Loja Americanas.

João Lucas Tonello, Analista de Investimentos da Benndorf Research (CNPI-P) e Advogado especialista em Direito Tributário

Sérgio Rial, que é reconhecido pelo mercado como um excelente gestor de pessoas e formador de time chegou a Americanas com o objetivo de reformular a cultura da companhia montando um novo time de diretores. Com grandes desafios operacionais pela frente devido a integração das operações on-line, off-line, aquisições recentes, evolução de inciativas internas como a Ame Digital o trabalho do Rial mais o time seria de longo prazo. Ele começou com um belíssima tacada trazendo o André Covre, um dos melhores CFOs do mercado, responsável pelos melhores momentos do Grupo Ultra (época que os postos Ipiranga estavam com margens excepcionais e ótimo crescimento).

A notícia desta quinta-feira (12) é um banho de água fria nesse projeto de reestruturação que estava se iniciando onde a tese de investimento dos compradores passava grande parte pela capacidade do Rial de montar um time muito capaz de executar o turnaround. Isso acabou, portanto entendemos que não há motivos para continuar posicionado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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