35 milhões de brasileiros estão propensos a mudar de banco em processos envolvendo golpes sem solução

35 milhões de brasileiros estão propensos a mudar de banco em processos envolvendo golpes sem solução

Pesquisa revela que a falta de assistência ou de respostas ao cliente é a principal causa para troca de instituição financeira

A FICO, líder em análise e tecnologia de plataforma de inteligência aplicada, revela os resultados da pesquisa inédita “Como os golpes de pagamento em tempo real afetam os consumidores” -, desenvolvida pela empresa com 14 mil consumidores — sendo 1.000 brasileiros – em 14 países. No recorte Brasil, a maturidade do país e entendimento do uso dos pagamentos em tempo real reforçam a aceitação do público para essa modalidade, mas também evidencia a necessidade de as instituições financeiras estabelecerem políticas claras, combativas e efetivas junto aos processos envolvendo fraudes.

De acordo com o estudo, 46% dos clientes vítimas de golpes e – insatisfeitos com a atuação da instituição financeira — reclamam com o banco, enquanto 32% reportam essa insatisfação para os órgãos regulatórios. Já 15% – ou 35 milhões de brasileiros — trocam de banco. Uma conta cara a ser paga.

Para o diretor de Plataforma da FICO América Latina, Ricardo Ribeiro (foto), os resultados apresentados no estudo refletem a necessidade do mercado em criar ferramentas e tecnologia com capacidade para mitigar os riscos de fraude. “O uso de Inteligência Artificial e Machine Learning modelados para monitorar transações, identificar e impedir golpes antes que os clientes sejam afetados é um recurso cada vez mais utilizado, e considerado aliado das companhias. Com a ferramenta certa é possível prever, entender e minimizar os riscos utilizando de comunicação correta, automação de processos e eficiência operacional”, destaca.

Em um cenário em que os meios de pagamento em tempo real são aceitos e difundidos pela sociedade — 97% dos respondentes afirmam terem enviado ou recebido um pagamento instantâneo -, a necessidade de mecanismos de segurança e minimização de riscos é fundamental. O estudo revela que 65% dos brasileiros têm amigos ou familiares que já foram vítimas de golpes envolvendo meios de pagamento em tempo real e que para 63% a abordagem ocorreu via mensagem de texto, e-mail ou ligação telefônica.

Ainda assim, a expectativa é promissora. Apenas 3% dos entrevistados pensam em diminuir o uso dessa modalidade de pagamento e 93% afirmam manter ou aumentar o uso do recurso.

Oportunidades de mercado

Segundo o estudo, 35% dos brasileiros pensam que os bancos não fazem campanhas educacionais suficientes para orientar o cliente, e 79% acreditam que os sistemas antifraudes devem ser prioritários para os bancos. O mesmo percentual (79%), representa o volume de clientes que ficariam satisfeitos com a identificação precoce da fraude pelo banco, ou seja, que a transação fosse impedida e o pagamento não compensado.

“A comunicação é um ponto de bastante atenção e que garante uma eficiência operacional para a empresa e para o consumidor. Mesmo diante dos números apresentados pela pesquisa, sabemos que o consumidor não gosta de passar pela situação de uma compra legítima não ser aprovada, o chamado falso-positivo. Por isso, essa operação exige um equilíbrio perfeito em que seja possível identificar transações fraudulentas com base em IA e ML, combinados com processamento contextual, tomada de decisão e comunicação em tempo real”, analisa Ribeiro.

O investimento nesses recursos de tecnologia contribui para uma operação mais linear e na redução de custos a longo prazo, uma vez que a fraude seria identificada no processo inicial.

Um dado relevante — e com os índices mais elevados quando comparado à pesquisa global -, refere-se ao uso das notificações sobre fraudes via aplicativo do banco. Cerca de 42% dos brasileiros consideram esse tipo de comunicação a forma mais efetiva para avisar e alertar os usuários sobre possíveis golpes. Um retrato da maturidade do mercado e dos usuários do sistema financeiro. Há ainda um outro indicador que revela que 56% entendem que o pagamento em tempo real é mais seguro do que um pagamento com cartão de crédito.

Os golpes em números

Mesmo com a maturidade do mercado, há pontos de atenção. Para 41% dos brasileiros os bancos deveriam ressarcir o cliente vítima do golpe em qualquer ocasião. Já 38% entendem que esse ressarcimento deveria ocorrer em quase todos os casos. Ou seja, 79% dos respondentes acreditam que o banco deva ser responsabilizado pela perda. Apenas 2% entendem que a responsabilidade de transações autorizadas em tempo real é de responsabilidade da instituição.

No contraponto desse tema, 46% dos entrevistados entendem a responsabilidade individual do cliente em enviar dinheiro ao possível fraudador, um percentual um pouco abaixo da média global que é de 50%. Já 20% acreditam que a responsabilidade é do banco que recebe o pagamento, e 18% do banco no qual é correntista. Ainda 4% dos respondentes acreditam que sites que veiculam anúncios ligados aos esquemas de fraude deveriam ser responsabilizados.

“Além dos recursos preditivos, os bancos receptores das quantias podem usar recursos de vinculação e correspondência para identificar candidatos fraudulentos e impedir que criminosos abram contas. Ou ainda é possível identificar contas potencialmente fraudulentas – já registradas – e sinalizá-las para monitoramento ou aplicação de tratamentos intensificados para erradicá-las e fechá-las”, explica Ribeiro.

Ainda de acordo com os dados extraídos do estudo, 46% das vítimas de golpes perderam até R$ 250, enquanto 5% perderam mais de R$ 5 mil. Apenas 27% reportaram suas perdas aos bancos.

De acordo com os entrevistados, 11% relataram o envio de um pagamento em tempo real mesmo após o aviso de possível fraude. Já 22% pagaram por um produto ou serviço e nunca receberam.

“Os bancos têm a oportunidade de investir em soluções inovadoras que podem intervir automaticamente para ajudar a parar golpes. Embora uma minoria de consumidores ignore os avisos de possibilidade de fraude, há um público bem-informado e — esperando -, por recursos que consigam ir além, e mapear as os riscos para minimizar golpes envolvendo o pagamento em tempo real”, finaliza Ribeiro.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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