O que o caso Americanas mostra ao varejo brasileiro?

Marcel Farto, CEO da ONCLICK .
O varejo na bolsa brasileira vem sofrendo queda nos últimos anos. No início de 2023, as Lojas Americanas divulgaram inconsistências em seu balanço financeiro e anunciaram uma dívida que ultrapassa os R$ 40 bilhões. Isso resultou na queda de suas ações na bolsa brasileira de 87,88%, em 2023. Em 12 meses as ações acumulam perda de 95%.
Porém, esse déficit não ocorreu apenas nessa gigante. A Marisa já demonstrava problema financeiro há algum tempo e suas ações também estão baixas, com -36,80% em 2023 e perda de mais de 76% no acumulado em 12 meses, além de outras varejistas de diversos segmentos, indicando que será um ano desafiador.
Diante dessas informações, você pode estar se perguntando se o anúncio da dívida bilionária da Americanas poderá afetar outras empresas e a economia mundial, como o que houve quando o Banco Lehman Brothers decretou falência em 2007/2008 e gerou uma crise mundial. Apesar de atingir outras empresas e a economia, dificilmente a dívida da Americanas afetará tanto quanto o caso americano.
O primeiro ponto é a diminuição dos investimentos por um período quando uma empresa apresenta dificuldade financeira. Além disso, a dívida impacta toda a cadeia, inclusive de fornecedores — desde os de microempresas até as gigantes conhecidas mundialmente e bancos.
É importante salientar também que essa baixa não foi causada apenas pela Americanas, o setor já vinha sofrendo por conta da baixa renda do consumidor, do endividamento e pela inflação.
Entretanto, apesar desse saldo negativo, há empresas do setor que tiveram alta na bolsa devido à transferência de investidores. É o caso do Mercado Livre, que ao contrário da Marisa, por exemplo, cresce mês a mês.
A Magazine Luiza foi outra empresa que passou a ter um saldo positivo com a queda das outras. Ela vinha com valorização na bolsa de 39,20% acumulados em 12 meses e passou a ter alta de 33,58%, só em 2023.
Sendo assim, podemos concluir que a crise existe em função do mercado. Porém, procurar entendê-lo é fundamental, tanto para conseguir acompanhar a maré, tanto para aproveitar as oportunidades que ainda assim existem e evitar maiores prejuízos para o negócio.
Quando uma gigante demonstra uma quebra o mercado se assusta, mas com o tempo as coisas retomam seu curso ao normal e os investimentos seguem em alta.
Além disso, o episódio será mais um que servirá de exemplo para que outras não cometam os mesmos erros e se atentem na hora de realizar o balanço financeiro para não ter surpresas, além de investir na digitalização e apostar na tecnologia como uma aliada de todos os processos do negócio.
O artigo foi escrito por Marcel Farto, que é CEO da ONCLICK. O executivo soma 20 anos de experiência no segmento de TI, numa trajetória que mescla empreendedorismo e gestão de negócios.








