Grupo paranaense investe R$ 50 milhões na primeira refinaria de biometano

Grupo paranaense investe R$ 50 milhões na primeira refinaria de biometano

RDP Energia, anuncia transição no posicionamento de mercado, mais alinhado à sustentabilidade e inovação

Um evento marcou uma nova fase para o Grupo Rejaile e também para a produção de combustíveis no Paraná. Realizada no dia 21 de novembro no Museu Oscar Niemeyer, a cerimônia anunciou o investimento de R$ 50 milhões na produção de biometano, um biocombustível 100% renovável. Na ocasião, houve também a assinatura do termo de compromisso com o CIBiogás, Instituto de Ciência e Tecnologia que é parceiro do projeto e desenvolve ampla pesquisa com biogás. A construção da planta, como é chamada, está acontecendo no município de Toledo, oeste do Paraná, e tem previsão de produção que chega a 3 milhões de m³ de biometano por ano a partir de 2026. O combustível é 100% renovável, sendo produzido por meio do processo de refino do biogás.

Tudo começou quando o Grupo Rejaile começou a desenvolver pesquisas para buscar alternativas que realmente fossem sustentáveis e comprometidas com melhores práticas. “O combustível renovável sempre esteve no nosso radar. O Brasil ainda tem longos passos para conseguir oferecer fontes de energia mais verdes, e esse é um trabalho fundamental para propor alternativas responsáveis e que favoreçam indústrias, comércio, e todos aqueles que consomem energia. Estamos muito felizes em desenvolver este projeto viabilizando um excelente produto no nosso estado”, diz Maurício Rejaile, presidente e fundador do Grupo. A parceria com o CIBiogás surgiu como uma forma de viabilizar a execução do projeto, uma vez que a refinaria de biometano utilizará o biogás produzido pela ampliação do CBT – Centro de Bioenergia de Toledo, que pertence ao CIBiogás.

O Brasil hoje tem seis plantas de biometano autorizadas pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e nenhuma utiliza resíduos da suinocultura, como será a de Toledo. “Nosso projeto inicial contempla uma planta de refino e purificação que deve operar entre 4.500.000 m³ a 5.500.000 m³ de biogás por ano, produzindo aproximadamente 3.000.000 m³ de biometano por ano. Este volume tende a ser ampliado dentro da própria planta inicial, bem como com a construção de outras unidades de produção no estado do Paraná e de Santa Catarina inicialmente”, conta Maurício.

O Grupo, que hoje atua na área de distribuição e armazenagem de combustíveis, uma rede de postos e soluções ambientais, escolheu a suinocultura para este projeto inicial tendo em conta que o estado do Paraná é o segundo estado com maior produção nacional de carne de porco. “A versatilidade do biogás e o grande número de biomassas possíveis para sua produção dá a oportunidade de produzir biometano a partir do refino e purificação de muitas fontes. Inicialmente temos a rota de resíduos agroindustriais e dejetos como a principal desta planta, contudo, estamos avaliando o uso e adaptação tecnológica para produção a partir de outras formas de biogás e biomassa”, diz o presidente. A previsão de início da operação é em 2026, e a ideia é em 4 anos mais que dobrar a produção projetada de 3 milhões de m³.

Novo momento

Junto ao anúncio do investimento na nova refinaria, o Grupo Rejaile também apresentou o novo posicionamento da empresa, com mudança no nome da distribuidora para RDP Energia. A ideia é se reposicionar num mercado em crescimento e mais alinhado com os propósitos de uma busca mais responsável e inovadora. “A inovação precisa estar presente nas marcas. Vivemos tempos difíceis, de crises climáticas e cada vez mais necessidade de se investir em processos mais renováveis e alinhados com a sustentabilidade. O mercado de combustíveis precisa repensar essa relação e oferecer alternativas para o público consumidor. E esse reposicionamento vai bem ao encontro a esse momento da empresa”, conta Jefferson Rejaile, diretor do Grupo.

Além do nome, a RDP Energia ganhou uma nova logomarca, um novo site, entre outros materiais de divulgação de sua identidade visual e quer, com isso, mostrar um novo momento. “Nos últimos 12 meses vendemos mais de 700 milhões de litros de combustíveis, e tivemos mais de 1.300 clientes atendidos. Fizemos questão de comunicar este novo momento em consonância com o lançamento do novo produto, que é uma maneira de mostrar para todos esses clientes que a nossa preocupação não é apenas com a marca, as cores, mas sim com uma atitude mais responsável e alinhada com a tecnologia, a inovação, e, principalmente, a sustentabilidade”, conta Jefferson.

Biometano

No Paraná hoje, existem duas plantas de biometano que operam em caráter experimental, com um volume de produção baixo e produto não comercializável. No entanto, o alto investimento do Grupo marca no estado a abertura de um mercado que vem cada vez mais aumentando. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o país deve emergir como um dos maiores produtores do gás renovável, chegando a um dos cinco países que mais produzirão a energia 100% renovável.

“O nosso produto sai na vanguarda no sul do país, em relação à biomassa. Mas o mercado de biometano e gás natural é amplo e contributivo, e o fato de ser um ‘novo’ produto pode, inclusive, estimular a contribuição entre competidores e parceiros, como uma forma de aumentar a cadeia de produção e distribuição”, diz Maurício.

O biometano é um produto derivado da purificação do biogás, o qual, por sua vez, é o gás retirado do processo de decomposição anaeróbica (na ausência de oxigênio) de resíduos orgânicos que podem vir de lixo, esgoto urbano, agricultura, pecuária, suinocultura e gado leiteiro. O produto pode ser utilizado como combustível para transporte veicular, e ainda tem aplicabilidade na indústria, residências e na produção de fertilizantes nitrogenados.

“O biometano desponta como uma das soluções mais promissoras na substituição de combustíveis fósseis que são emissores de gases do efeito estufa para uma alternativa renovável, com menos emissão de GEE, diminuindo a dependência de importação e gerando ainda mais riqueza e sustentabilidade”, reforça o presidente do Grupo.

Crédito de carbono

A planta ainda possibilitará a geração de créditos de carbono e o Grupo pretende integrar essa cadeia. Os créditos de carbono foram estabelecidos no protocolo de Kyoto em 1997 e possibilitam transformação da redução de gases do efeito estufa em ativos financeiros, que podem ser comercializados.

“O biometano é um produto de captura de carbono, o gás de efeito estufa que seria emitido naturalmente para a atmosfera pela produção agroindustrial ou nos dejetos provenientes da criação de animais. O metano é capturado e purificado, evitando a sua emissão e transformando este GEE em combustível. Principal item capturado, o metano é 21 vezes mais prejudicial que o CO2. Há programas existentes como o Renovabio em que o biometano é classificado como um dos produtos com maior eficiência energética. Além do Renovabio há muitas outras formas de emissão de certificados e créditos de carbono que pretendemos participar e que fazem parte desse novo momento do Grupo”, finaliza Maurício.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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