Eventos presenciais expõem o limite das relações digitais nos negócios

Eventos presenciais expõem o limite das relações digitais nos negócios

Com compradores usando múltiplos canais, encontros físicos voltam a ser decisivos em parcerias estratégicas e expansão empresarial

Relatórios recentes mostram que os eventos presenciais voltaram a ocupar espaço relevante nas estratégias empresariais ligadas à expansão, ao relacionamento e ao fechamento de novos contratos. A McKinsey aponta, em levantamento da série Global B2B Pulse, que compradores corporativos usam, em média, dez canais ao longo da jornada de compra. No Brasil, a ABEOC registrou alta de 15,96% na procura por eventos corporativos entre janeiro e maio de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da DataEventos.

Para Franco Scornavacca, fundador da MD1 Nexus e empresário com atuação na construção de conexões entre Brasil e Estados Unidos, esse movimento mostra que o excesso de relações digitais reposicionou o encontro físico dentro da agenda de negócios. A MD1 Nexus atua em aceleração de negócios, expansão empresarial e conexão entre empreendedores, investidores e lideranças, com foco em empresários brasileiros que desejam estruturar crescimento, acessar oportunidades e ampliar presença em mercados como Orlando.

“O digital encurtou distâncias, mas não substituiu a confiança. Eventos presenciais voltaram ao centro das estratégias empresariais porque negócios de alto valor ainda dependem de leitura humana, convivência e credibilidade construída fora da tela”, afirma o fundador da MD1 Nexus.

O novo papel do encontro físico na era multicanal

A retomada não significa abandono das ferramentas digitais. A própria McKinsey aponta que a jornada de compra corporativa se tornou multicanal, com empresas transitando entre reuniões presenciais, videoconferências, sites, busca, inteligência artificial generativa e comércio eletrônico. O ponto, segundo o especialista em aceleração de negócios, é que os encontros físicos passaram a ser usados com mais critério, principalmente quando envolvem parcerias estratégicas, captação de oportunidades, expansão comercial e entrada em novos mercados.

O avanço dos encontros empresariais também acompanha a recuperação econômica da indústria de eventos. A ABRAPE informou que o consumo no setor de eventos e entretenimento somou R$25,33 bilhões no primeiro bimestre de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019. O levantamento, baseado em dados do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego e da Receita Federal, também aponta que o estoque de empregos no núcleo principal do setor cresceu 84,5% em relação ao período anterior à crise sanitária.

Da dispersão digital para ambientes de alta qualificação

Na avaliação do empresário, o crescimento de imersões, missões empresariais, eventos corporativos e encontros exclusivos tem relação direta com a busca por ambientes menos dispersos.

“O empresário está cansado de trocar mensagens, entrar em grupos e participar de reuniões que não geram avanço real. Em eventos menores e mais qualificados, a conversa muda de nível porque as pessoas chegam com objetivos mais claros, repertório semelhante e disposição para construir algo de longo prazo”, diz Scornavacca.

Esse movimento também se conecta ao turismo de negócios. A Global Business Travel Association projetou que os gastos globais com viagens corporativas chegariam a US$1,57 trilhão em 2025, com expectativa de crescimento de 8,1% em 2026. O relatório considera que as viagens de negócios continuam ligadas a mudanças no comércio, nos investimentos e no comportamento corporativo.

A importância da presença física na expansão internacional

Para companhias brasileiras que olham para os Estados Unidos, encontros presenciais podem reduzir ruídos comuns em processos de expansão. Segundo o fundador da MD1 Nexus, a entrada em outro país exige mais do que agenda comercial.

“Quando um empresário brasileiro quer crescer nos Estados Unidos, ele precisa entender cultura de negócios, regras de relacionamento, velocidade de decisão e nível de preparação esperado. Estar no lugar certo, com as pessoas certas, diminuir erros e acelerar etapas”, afirma.

A busca por Orlando como ponto de conexão empresarial entra nesse contexto. Mais conhecida pelo turismo, a região também se consolidou como ambiente de negócios para brasileiros que procuram relacionamento, investimento, licenciamento, expansão de marca e acesso a redes locais. Para o especialista, o destino ganhou relevância porque reúne fluxo internacional, presença brasileira, estrutura para eventos e proximidade com diferentes setores econômicos.

“O evento presencial não é mais sobre reunir muita gente no mesmo espaço. É sobre criar uma curadoria de conexões. Quando isso acontece, o encontro deixa de ser networking genérico e passa a funcionar como uma plataforma de crescimento empresarial”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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