Separar marketing e vendas virou luxo que poucas empresas podem pagar

Separar marketing e vendas virou luxo que poucas empresas podem pagar

Com aquisição mais cara de clientes  e maior pressão por rentabilidade, empresas  integram marketing, vendas e relacionamento em uma única estratégia para aumentar a receita e reduzir desperdícios

O custo para conquistar clientes aumentou, as margens ficaram mais pressionadas e crescer apenas ampliando investimentos em marketing deixou de ser suficiente para muitas empresas. Por esse motivo, companhias têm revisto uma divisão considerada natural durante décadas, a separação entre marketing e vendas.

Em vez de departamentos avaliados por metas próprias, cresce a adoção de indicadores compartilhados de receita, conversão e retenção para aumentar a eficiência da operação e tornar o crescimento mais previsível.

Robson Araújo,contador, CEO da SmartSolve, consultoria especializada em gestão financeira, contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária para empresas de serviços, especialmente agências de publicidade e negócios do ecossistema criativo, o conflito histórico entre marketing e comercial deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a impactar diretamente os resultados financeiros das empresas.

Segundo o especialista em crescimento empresarial, organizações mais maduras deixaram de medir o desempenho de cada área de forma isolada e passaram a administrar toda a jornada do cliente como um único processo.

“Enquanto o marketing é cobrado pelo número de leads e o comercial apenas pelo fechamento de contratos, sempre haverá conflito sobre quem é responsável pelos resultados. As empresas que mais crescem hoje trabalham com uma única meta: gerar receita de forma previsível. Quando todos acompanham os mesmos indicadores, a discussão deixa de ser sobre orçamento e passa a ser sobre crescimento”, aponta Araújo.

Empresas passam a gerir receita como um único processo

Na avaliação do executivo, um dos erros mais comuns é manter cada departamento preocupado apenas com seus próprios objetivos. O marketing busca ampliar o volume de oportunidades, enquanto a equipe comercial concentra esforços apenas no fechamento de negócios.

O resultado é uma operação fragmentada, que perde eficiência ao longo da jornada do cliente.”Cada área acaba otimizando apenas uma parte da operação. O marketing aumenta o volume de leads, o comercial questiona a qualidade desses contatos e ninguém acompanha o impacto de toda a jornada na receita da empresa. Isso aumenta o custo de aquisição, reduz a produtividade das equipes e dificulta o crescimento”, destaca Robson.

Esse movimento acompanha a consolidação do Revenue Operations (RevOps), modelo de gestão que integra marketing, vendas e Customer Success em torno dos mesmos objetivos financeiros. Empresas como HubSpot e RD Station vêm defendendo essa estrutura como forma de reduzir perdas na conversão, melhorar a previsibilidade da receita e aumentar a eficiência operacional.

A tendência também aparece nas pesquisas do setor. Levantamento da HubSpot divulgado em 2026 mostra que 78% das empresas brasileiras ainda realizam a passagem de oportunidades entre marketing e comercial de forma manual, enquanto 72% afirmam ter dificuldade para medir com precisão o retorno dos investimentos em marketing. Além disso, 27,6% operam com sistemas desconectados entre as duas áreas e 21,7% relatam dificuldades para segmentar clientes corretamente, fatores que comprometem a tomada de decisão e a geração de receita.

Indicadores substituem metas isoladas

Segundo Robson Araújo, empresas que buscam crescimento sustentável passaram a compartilhar indicadores estratégicos entre marketing, vendas e relacionamento com o cliente. Em vez de acompanhar apenas metas departamentais, a gestão passa a observar métricas como custo de aquisição de clientes (CAC), taxa de conversão, receita por canal, tempo de fechamento das oportunidades, retenção de clientes e Lifetime Value (LTV), permitindo que todas as equipes sejam avaliadas pelo impacto financeiro gerado ao negócio.

Quando marketing, vendas e relacionamento acompanham os mesmos indicadores, as decisões passam a ser orientadas por resultados e não por interesses departamentais. “Isso melhora a previsibilidade, reduz desperdícios e fortalece o crescimento da empresa”, avalia.

Crescimento começa depois da venda

O CEO da SmartSolve destaca que essa integração também ampliou o papel do Customer Success, área responsável por acompanhar a experiência do cliente após a venda. Segundo ele, empresas que concentram seus esforços apenas na aquisição de novos clientes deixam de explorar uma das principais fontes de crescimento: a retenção e a expansão da receita da base já existente.

“Conquistar um cliente ficou mais caro. Crescer depende não apenas de vender mais, mas de manter esse cliente ativo, ampliar seu relacionamento com a empresa e aumentar seu tempo de permanência. As empresas que continuam separando marketing, vendas e relacionamento tendem a crescer mais lentamente porque cada área otimiza apenas uma parte da operação. Quando toda a organização trabalha pelos mesmos indicadores financeiros, a empresa reduz desperdícios, ganha previsibilidade e constrói um crescimento muito mais consistente”, conclui o CEO da SmartSolve.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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