Empresas sem gestão emocional perdem talentos

Empresas sem gestão emocional perdem talentos

Com afastamentos em alta e riscos psicossociais na NR 1, empresas que estruturam cuidado emocional ganham vantagem na disputa por profissionais qualificados

A Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% sobre o ano anterior. O dado ajuda a explicar por que a saúde mental no trabalho deixou de ser uma pauta restrita ao RH e passou a influenciar a atração de talentos, a retenção de profissionais, a redução do turnover e a reputação da marca empregadora, avalia Jéssica Palin Martins, advogada, psicóloga e especialista em saúde mental corporativa, sócia da Palin & Martins,  consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional.

Fundadora da IntegraMente, plataforma de gestão emocional para empresas, Jéssica atua na estruturação de diagnósticos de riscos psicossociais, testes psicológicos validados, devolutivas para lideranças e planos de ação para equipes de recursos humanos. A solução apoia organizações que precisam transformar indicadores emocionais e comportamentais em decisões práticas de gestão, sobretudo diante das novas exigências ligadas à NR 1, à Lei 14.831 de 2024 e ao Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental.

A mudança no comportamento dos profissionais também aparece na pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2026, da Deloitte. O levantamento ouviu 804 pessoas no Brasil e mostrou que 66% da Geração Z e 70% dos millennials avaliam a própria saúde mental como boa ou muito boa, mas três em cada dez dizem se sentir estressados quase o tempo todo. Entre os fatores associados ao trabalho estão jornadas longas, falta de reconhecimento, decisões percebidas como injustas e dificuldade para falar sobre saúde mental com gestores.

“Cuidar do emocional deixou de ser benefício bonito no discurso e virou critério de escolha para o profissional. A saúde mental no trabalho passou a mostrar se a empresa tem maturidade de gestão ou se ainda trata pessoas apenas como entrega”, afirma a especialista.

O emocional entrou na conta da marca empregadora

A disputa por profissionais qualificados torna o tema ainda mais sensível. Dados da Gallup indicam que 66% dos trabalhadores no Brasil consideravam 2025 um bom momento para encontrar emprego na cidade ou região onde vivem. Na mesma base, 45% relataram ter sentido muito estresse no dia anterior, acima da média global de 40%.

Para a psicóloga, esse conjunto de indicadores muda a lógica da gestão de pessoas. Empresas que conseguem demonstrar cuidado estruturado, liderança preparada, canais de escuta e acompanhamento emocional tendem a ganhar vantagem sobre organizações que tratam saúde mental corporativa como ação pontual de comunicação interna.

“O profissional percebe quando a empresa tem processo e quando tem apenas campanha. A saúde mental no trabalho precisa aparecer em indicadores, plano de ação, acompanhamento e formação de liderança. Não basta falar sobre cuidado. É preciso provar que a organização sabe prevenir riscos psicossociais e agir antes da crise”, diz a fundadora da IntegraMente.

NR 1 muda o peso da saúde mental nas empresas

A pressão regulatória reforça esse movimento. A Lei 14.831, de 2024, instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, concedido pelo governo federal a companhias que atenderem critérios de promoção da saúde mental e qualidade de vida dos trabalhadores. Já a Portaria 1.419, do Ministério do Trabalho e Emprego, alterou a NR 1 e incluiu oficialmente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais.

Na prática, o assunto deixou de depender apenas da sensibilidade das lideranças. A saúde emocional passou a integrar a agenda de conformidade trabalhista, cultura organizacional, clima corporativo, produtividade e reputação institucional.

No modelo desenvolvido pela IntegraMente, o processo passa por diagnóstico emocional, mapeamento de equipes, devolutivas individuais, planos de ação por área e acompanhamento contínuo. A metodologia busca identificar sinais de sobrecarga, conflitos, baixa segurança psicológica e desalinhamento antes que esses fatores resultam em afastamentos, queda de desempenho ou perda de talentos.

Salário não segura talentos quando o trabalho adoece

Para a advogada e psicóloga, o cuidado emocional ganha peso porque afeta diretamente a capacidade das empresas de manter equipes produtivas e comprometidas.

“A empresa que quer atrair bons profissionais precisa mostrar que sabe cuidar da experiência de trabalho. O salário continua importante, mas não sustenta sozinho uma relação profissional quando o ambiente adoece. O cuidado emocional estruturado virou parte da competitividade”, afirma

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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