4 pilares para a construção de um ambiente de trabalho seguro

4 pilares para a construção de um ambiente de trabalho seguro
Alessandra Lotufo.

Especialista da Afferolab apresenta os principais focos para o desenvolvimento de um bom ambiente de trabalho

A saúde mental no trabalho tem apresentado um cenário desafiador. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, em 2024, quase meio milhão de brasileiros foram afastados por ansiedade e depressão, o maior número nos últimos dez anos. Se comparado apenas com o ano anterior, o aumento foi de 68%. Reflexo de um contexto complexo e global, provocado pelo fenômeno da cultura algorítmica e da transição social pela qual estamos passando, hoje mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum transtorno mental, de acordo com levantamento da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Para a sócia e Managing Director da Afferolab, maior consultoria de aprendizagem corporativa do Brasil, Alessandra Lotufo, o problema pode ser atenuado com a criação de ambientes seguros no contexto corporativo atual. “Hoje, as empresas precisam transcender a preocupação com o aspecto físico. O foco deve recair sobre a segurança psicológica, que engloba o bem-estar emocional e a qualidade das relações entre os colaboradores. Além disso, esses espaços precisam ser construídos como alavancas, e não como a ‘cura final’ para diminuir o número de afastamentos, uma vez que os reflexos da saúde mental das pessoas não estão apenas ligados diretamente ao ambiente de trabalho. A questão é mais complexa e profunda do que isso”, revela.

Para a especialista, ambientes seguros precisam ser sustentados por relações de confiança, gestão adequada de conflitos e vulnerabilidade compartilhada. “Essa perspectiva aponta para a importância da construção de uma cultura organizacional que valorize a integridade emocional”, acrescenta a especialista.

A ausência de vínculo relacional entre líderes e liderados, entre equipes, bem como de práticas como escuta ativa, acolhimento e gestão eficiente de conflitos, pode comprometer a sensação de segurança no ambiente de trabalho. Isso porque, em um cenário em que vida pessoal e profissional se misturam, segurança não significa ausência de conflitos, mas sim a forma como eles são conduzidos, com liderança preparada para acolher e gerir divergências, evitando que o ambiente se torne tóxico. Para mitigar esse cenário, as organizações precisam implementar práticas que fortaleçam os vínculos e proporcionem um senso de pertencimento, influenciando diretamente a retenção de talentos e a produtividade.

Bases para uma boa gestão

A implementação de uma cultura de segurança psicológica, conforme Lotufo, baseia-se em quatro pilares. “O primeiro, “Bond”, refere-se à construção de vínculos legítimos e à confiança entre líderes e liderados, e também entre pares. Sem vínculo, não há espaço para vulnerabilidade, para feedback honesto, nem para pertencimento real. É aqui que começa a performance”, afirma.

“O segundo, “Fit”, destaca o alinhamento do colaborador com o propósito da empresa e os objetivos de sua equipe. É sobre pertencer de verdade à cultura e se alinhar ao propósito coletivo. Pessoas e times de alta performance não apenas fazem bem feito, eles sabem por que fazem. Onde há propósito, há engajamento; onde há alinhamento de valores, há consistência e integridade”, explica a sócia da Afferolab.

Lotufo também vê os retornos conquistados pelos funcionários e o equilíbrio do ritmo no ambiente como focos primordiais para um bom ecossistema do trabalho. “O terceiro pilar, “Agility”, abrange a capacidade de adaptação às mudanças e a gestão da ansiedade gerada pelo ritmo acelerado do ambiente de trabalho. Agilidade verdadeira nasce de uma cultura que valoriza a experimentação e não pune a tentativa”, analisa Lotufo.

“Por fim, o “Delivery” relaciona-se à entrega consistente de resultados com reconhecimento, assegurando que os colaboradores se sintam valorizados e competentes. A entrega continua sendo importante, mas não é tudo. Delivery é sobre disciplina, foco e constância, sem sacrificar os outros pilares. Alto desempenho sem entrega é inspiração vazia. Com entrega, é impacto real”, descreve.

Líderes possuem um papel central na construção desses ambientes. “Eles devem desenvolver habilidades como visão sistêmica, inclusão e a capacidade de orquestrar emocionalmente suas equipes, atendendo às diferentes necessidades de cada área. A promoção de feedback honesto e o diálogo transparente são ferramentas para edificar a confiança relacional”, afirma Lotufo.

No contexto atual de modelos híbridos e remotos, os vínculos significativos enfrentam desafios adicionais, mas a responsabilidade pela saúde mental não cabe exclusivamente às organizações. “Originalmente, a empresa não foi desenhada para assumir esse papel, trata-se de um problema sistêmico, complexo e global, que envolve fatores sociais, culturais e econômicos. No entanto, as organizações já ocupam, e tendem a ampliar, o papel de articuladoras: não resolvem sozinhas, mas podem contribuir de forma significativa. Nesse sentido, o debate avança nos fóruns de capital humano, reconhecendo que as empresas, embora não sejam responsáveis diretas, tornam-se peças fundamentais na construção de ambientes que favoreçam a segurança psicológica e apoiem a saúde mental coletiva”, conclui a sócia da Afferolab.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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