Fraudes financeiras disparam e lideram ações na Justiça contra empresas

Fraudes financeiras disparam e lideram ações na Justiça contra empresas

Golpes digitais, cobranças indevidas e falhas de segurança impulsionam judicialização e reforçam dever de proteção ao consumidor

Levantamento inédito realizado pela Jus Brasil aponta que o principal motivo litígios entre consumidores e empresas no Brasil é a fraude financeira. O estudo, que se baseou na análise de mais 91 mil decisões judiciais, proferidas entre 2020 e 2025, mostra a tríade problemas de crédito, registros irregulares de inadimplências e cobranças indevidas como o centro da judicialização consumerista no país.

Segundo o apontamento, mais de 11% (11,07%) dos processos são sobre empréstimos consignados e fraudes financeiras; logo atrás, mais de 10% (10,14%) abordam inscrições irregulares em cadastros de inadimplentes. Cobranças indevidas envolvem quase 5% das decisões judiciais (4,76%).

O dado confirma uma tendência já percebida nos tribunais: o crescimento expressivo de conflitos envolvendo falhas de segurança em serviços financeiros, especialmente em operações digitais.

“Os dados evidenciam que não se trata de episódios isolados, mas de uma falha estrutural na prestação de serviços, sobretudo no ambiente digital, em que a segurança deveria ser reforçada e não flexibilizada”, esclarece Stefano Ribeiro Ferri, especialista em Direito do Consumidor.

O perfil das vítimas também se destaca. Em mais de 50% dos casos de fraudes em consignado, os consumidores eram pessoas em situação de vulnerabilidade, como idosos, aposentados, pensionistas e até pessoas com deficiência ou analfabetos.

O levantamento aponta o perfil das vítimas: no setor, mais de 50% dos casos de fraude em consignado envolvem consumidores em situação de vulnerabilidade agravada, como idosos, aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência ou analfabetos.

“É fundamental reconhecer que esses consumidores possuem proteção reforçada pela legislação, o que impõe às instituições financeiras um dever ainda maior de cautela, transparência e validação das operações realizadas”, enfatiza o advogado, que destaca a necessidade de políticas eficazes de prevenção e atendimento especializado.

A expansão de golpes — como fraudes em transações bancárias, uso indevido de dados e contratações não autorizadas — evidencia não apenas a sofisticação dos criminosos, mas também a fragilidade dos mecanismos de proteção adotados por instituições financeiras e plataformas digitais.

Em meio à onda crescente de fraudes financeiras e problemas na Justiça, a responsabilidade das empresas tem se consolidado como ponto-chave das decisões favoráveis ao consumidor. Especialmente quando há indícios de falha sistêmica ou ausência de mecanismos eficazes de prevenção.

Stefano Ribeiro Ferri explica que “a responsabilidade objetiva das empresas, prevista no Código de Defesa do Consumidor, impõe o dever de indenizar independentemente de culpa” e “a ausência de mecanismos eficazes de segurança configura falha na prestação do serviço, especialmente quando o consumidor não contribuiu para o dano”.

O avanço de tecnologias como o Pix e o crescimento das fintechs contribuíram para a inclusão financeira, mas também abriram espaço para novas modalidades de fraude, cada vez mais sofisticadas e difíceis de detectar.

“Não basta oferecer tecnologia avançada; é imprescindível que as empresas invistam continuamente em sistemas antifraude e em educação do consumidor, sob pena de responderem judicialmente pelos prejuízos causados”, reforça o especialista em direito do Consumidor.

Principais causas de ações no Direito do Consumidor

  • Fraudes bancárias e golpes digitais
  • Cobranças indevidas
  • Negativação irregular do nome
  • Contratações não autorizadas
  • Falhas em serviços financeiros

O que diz a lei

  • Responsabilidade objetiva do fornecedor (independe de culpa)
  • Inversão do ônus da prova em favor do consumidor
  • Direito à reparação por danos materiais e morais
  • Dever de segurança na prestação do serviço

 Orientações ao consumidor

  • Nunca compartilhar senhas ou códigos de verificação
  • Desconfiar de contatos que se passam por bancos
  • Monitorar movimentações financeiras com frequência
  • Registrar imediatamente ocorrências junto à instituição
  • Procurar orientação jurídica em caso de prejuízo

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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