Terceirização em condomínios cresce, mas falhas na contratação geram riscos jurídicos

Terceirização em condomínios cresce, mas falhas na contratação geram riscos jurídicos

Escolha de empresas sem critérios técnicos pode resultar em passivos trabalhistas e problemas operacionais

A terceirização de serviços como vigilância, portaria e zeladoria vem ganhando espaço em condomínios residenciais e empresariais no Brasil, acompanhando a expansão desse modelo no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que falhas na contratação ainda expõem síndicos e gestores a riscos jurídicos e operacionais relevantes.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem), o país já soma mais de 12 milhões de trabalhadores terceirizados, número que tende a crescer com a consolidação desse formato nas empresas e na gestão condominial.

Apesar da expansão, a escolha da prestadora de serviços ainda é, em muitos casos, baseada prioritariamente no custo, o que pode trazer consequências no médio prazo.

De acordo com Rogério Siqueira, gerente comercial da vertical Capital Humano da Orsegups, o erro mais comum está justamente na falta de critérios técnicos na seleção. A legislação brasileira prevê, em determinadas situações, a responsabilidade subsidiária do contratante. Isso significa que o condomínio pode ser responsabilizado caso a empresa terceirizada não cumpra suas obrigações trabalhistas. “Na prática, uma contratação mal feita pode gerar custos adicionais e desgaste para a gestão”. Quando a empresa não cumpre encargos trabalhistas ou não tem estrutura adequada, o condomínio pode ser acionado judicialmente.

Falhas operacionais

Além do risco jurídico, falhas operacionais também são frequentes quando a escolha não considera aspectos estruturais da prestadora. Problemas como ausência de profissionais, falta de supervisão e baixa qualificação impactam diretamente a segurança e o funcionamento do condomínio.

Entre os pontos considerados essenciais na contratação estão a regularidade da empresa, com certidões atualizadas e histórico comprovado de atuação, além da capacidade operacional para manter a continuidade dos serviços. No caso da vigilância patrimonial, a autorização da Polícia Federal, exigida pela legislação, é obrigatória.

Outro fator relevante é a estrutura de supervisão e o uso de tecnologia. Sistemas de monitoramento em tempo real permitem identificar rapidamente falhas, como ausência de funcionários, e garantir reposições ágeis, reduzindo impactos na rotina.

A existência de uma reserva técnica de profissionais também é vista como diferencial, especialmente em serviços críticos como portaria e vigilância, nos quais a ausência de cobertura pode comprometer a segurança do condomínio.

Para o especialista, a terceirização deve ser tratada como uma decisão estratégica, e não apenas operacional. “Mais do que contratar um serviço, o síndico está escolhendo um parceiro que impacta diretamente a segurança e a rotina do condomínio. Por isso, planejamento e análise são fundamentais”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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