Pressa na contratação custa caro e aumenta erros nas pequenas empresas

Pressão por agilidade faz empresas errarem no perfil ideal e amplia rotatividade de funcionários
O mercado de trabalho segue dia após dia mais dinâmico, e a pressa para preencher vagas tem levado muitas empresas, principalmente micro e pequenas, a cometerem erros que custam caro no médio prazo. A busca por agilidade no recrutamento, sem o devido alinhamento de perfil e avaliação adequada, tem resultado em contratações equivocadas e aumento da rotatividade (turnover).
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o Brasil apresenta uma taxa de 56% de rotatividade de funcionários, entre as mais altas do mundo, mostrando a dificuldade das empresas em manter seus talentos.
Além disso, a falta de critério na contratação pode gerar impactos diretos no desempenho do negócio. Em setores como tecnologia, por exemplo, o turnover pode chegar a 40% no primeiro ano de contratação, conforme a HumanAZ, muitas vezes impulsionado por desalinhamento entre expectativas da empresa e do profissional.
“Quando a empresa contrata apenas para preencher a vaga rapidamente, desconsiderando aspectos relevantes do perfil, o risco de erro aumenta muito. Isso gera retrabalho, custos adicionais e impacto na equipe. Contratar bem é ter clareza do que se busca por meio de um processo simples, porém estruturado”, explica Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, plataforma de empregos pioneira no Brasil.
Segundo Suzuki, esse impacto afeta tanto grandes como pequenas empresas, uma vez que cada desligamento representa investimento de tempo, novos custos de recrutamento e queda de produtividade.
Maior erro
“Na prática, o erro mais comum está na superficialidade dos processos seletivos. Descrições que não declaram os desafios da posição e competências do profissional, entrevistas superficiais e ausência de avaliação comportamental faz com que a decisão seja tomada com base apenas no currículo, sem considerar a aderência cultural ou expectativas reais do profissional”, complementa Patricia.
Para equilibrar velocidade e qualidade, a diretora de RH recomenda algumas medidas simples e acessíveis:
- Definir claramente o perfil da vaga antes de iniciar a busca;
- Padronizar perguntas nas entrevistas de acordo com a posição e o cargo a ser preenchido;
- Validar experiências anteriores;
- Alinhar expectativas desde o início do processo.
“O segredo está em organizar o processo, não em torná-lo mais longo. Pequenas melhorias já ajudam a contratar melhor e reduzir a rotatividade. Esse cuidado é extremamente importante, principalmente em organizações menores que não possuem um setor de RH estruturado e precisam dar andamento nas demandas com eficiência”, conclui a porta-voz.








