O currículo não é respondido? Saiba onde você está errando

O currículo não é respondido? Saiba onde você está errando

O mercado mudou e é preciso se posicionar estrategicamente

Com o avanço das plataformas digitais de recrutamento, candidatar-se a vagas de emprego se tornou mais rápido e acessível. No entanto, para muitos profissionais, a sensação é a mesma: currículos enviados em grande volume, poucas respostas e uma frustração crescente. Segundo o professor Marcelo Treff, especialista em gestão de carreira da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), a realidade do mercado mudou, e o candidato precisa entender como se posicionar estrategicamente nesse novo cenário.

De acordo com o docente, as plataformas online de fato aumentam as chances de conseguir emprego, pois ampliam o acesso às oportunidades e democratizam o processo seletivo, permitindo que profissionais de diferentes regiões encontrem vagas que antes sequer conheciam. Porém, esse avanço também trouxe um efeito colateral inevitável: o aumento da concorrência. “As oportunidades são reais, mas a sensação de ‘enviei e ninguém responde’ muitas vezes vem da alta competitividade e do uso de filtros automatizados para triagem. Não é ilusão, é um mercado mais amplo e mais disputado”, explica Treff.

Erros comuns que eliminam candidatos logo na triagem

Entre os principais equívocos cometidos por quem busca recolocação profissional em sites e aplicativos de emprego, o professor destaca três falhas recorrentes: o envio do mesmo currículo para todas as vagas, a criação de perfis genéricos ou incompletos e a candidatura para oportunidades que não correspondem aos requisitos mínimos.

Essas práticas, segundo ele, aumentam consideravelmente as chances de o candidato ser descartado logo nas primeiras etapas. “Esses erros fazem com que o candidato seja filtrado logo no início, muitas vezes antes de um recrutador sequer ver o currículo”, alerta.

Como se destacar?

Para se destacar em meio a centenas — ou até milhares — de candidaturas, Marcelo Treff reforça que a palavra-chave é relevância. Isso significa adaptar o currículo ao perfil de cada vaga, destacando competências e experiências conectadas ao que a empresa busca, mas sem exageros.

“O candidato precisa personalizar o currículo ao perfil da vaga, destacando experiências, resultados e competências diretamente conectados ao que a empresa procura, mas sem floreiros, nem exageros”, orienta Treff.

Ele também afirma que currículos baseados em entregas concretas, com números e impactos claros, tendem a chamar mais atenção do que descrições genéricas de funções. Como exemplo, ele explica que é mais eficiente dizer “aumentei as vendas em 25% em seis meses” do que apenas escrever “responsável por vendas”.

Outra dica essencial é construir um perfil atrativo sem comprometer a veracidade das informações. Para o professor, é possível valorizar conquistas de forma estratégica, mas sempre com clareza e evidências. “A regra é simples: seja estratégico, não fantasioso. Clareza, objetividade e evidências geram credibilidade, e credibilidade é o ativo mais importante no ambiente digital”, afirma.

Enviar muitos currículos pode ser um erro

Embora muitos candidatos acreditem que a quantidade de candidaturas aumenta as chances de contratação, o professor da FECAP defende o oposto: o envio em massa costuma reduzir a efetividade e aumentar a frustração. Para ele, qualidade gera muito mais retorno do que quantidade.

“O envio em massa costuma atrapalhar. A estratégia mais eficiente é o foco qualificado: escolher vagas coerentes com o perfil e dedicar tempo para personalizar candidatura, currículo e mensagem”, pontua.

Como “driblar” os algoritmos?

Um dos principais fatores que explicam o silêncio após o envio do currículo está no funcionamento dos algoritmos das plataformas. Segundo Treff, essas ferramentas fazem uma triagem inicial baseada em palavras-chave, compatibilidade de experiências e aderência aos requisitos exigidos.

Por isso, ele recomenda que o candidato utilize termos presentes na descrição da vaga e mantenha o perfil sempre atualizado. “Em termos práticos, o candidato precisa ‘falar a mesma língua’ da vaga”, resume.

Plataformas ajudam, mas não substituem networking

Embora o recrutamento digital tenha ampliado a visibilidade dos candidatos, o professor reforça que o networking segue sendo decisivo no processo de recolocação. Indicações e conexões profissionais ainda são responsáveis por muitas contratações.

“As plataformas ampliam a visibilidade, mas o networking continua sendo decisivo. A estratégia mais eficaz combina presença ativa nas plataformas com gestão de relacionamentos profissionais consistentes”, afirma Treff.

Recomendações práticas para quem busca recolocação

Para quem está desempregado e quer usar as plataformas de forma mais eficiente, Marcelo Treff recomenda ações simples, mas consistentes: manter o perfil completo e bem preenchido, usar palavras-chave da área, ativar alertas de vagas, definir metas semanais de candidaturas qualificadas e interagir com conteúdos e profissionais do setor.

Ele também ressalta a importância de manter currículos enxutos, consistentes e evitar comportamentos que possam prejudicar a imagem profissional. “Evite postagens polêmicas, sobretudo no Linkedin, que não sejam de cunho profissional. Não confunda o Linkedin com o Instagram”, orienta.

Presença digital pode definir oportunidades

Por fim, o professor acrescenta que a empregabilidade hoje vai além do currículo enviado. Recrutadores analisam reputação online, redes sociais e portfólios, o que torna essencial cuidar da presença digital de forma contínua.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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