Brasil entra para os primeiros países do mundo a tornar ESG obrigação corporativa

Brasil entra para os primeiros países do mundo a tornar ESG obrigação corporativa

Evento do Ibef-PR debateu como a nova regulamentação da CVM obrigará empresas a divulgar riscos climáticos, afetando crédito, investimentos e competitividade empresarial

O Brasil passou a integrar o grupo dos primeiros países do mundo a tornar obrigatória a divulgação de riscos climáticos e informações de sustentabilidade pelas empresas de capital aberto. A mudança, implementada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Resolução CVM 193, é considerada uma das maiores transformações regulatórias da área corporativa nas últimas décadas e deve alterar a forma como investidores, bancos e o mercado analisam os riscos e o valor das empresas. Desde 2024, pode-se aderir voluntariamente e a partir de 2026, a divulgação passa a ser obrigatória para empresas de capital aberto.

O tema esteve no centro do evento “ESG sem discurso: o que realmente impacta o negócio”, promovido pelo Ibef-PR na última quinta-feira, em Curitiba, reunindo executivos, empresários e especialistas para discutir os impactos financeiros da nova agenda regulatória sobre o ambiente corporativo, e contou com a moderação de Márcia Weise, integrante do Comitê de ESG do Ibef-PR.

A nova regulamentação incorporou ao mercado brasileiro os padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2, desenvolvidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). Na prática, as empresas passarão a reportar impactos climáticos, emissões de carbono, riscos ambientais, governança e possíveis efeitos financeiros relacionados à sustentabilidade com o mesmo rigor das demonstrações financeiras tradicionais.

Exigências

Entre as novas exigências estão a divulgação de riscos climáticos capazes de afetar a operação e fluxo de caixa, metas ambientais, planos de transição, emissões de gases de efeito estufa e riscos relacionados a eventos extremos, além da obrigatoriedade de auditoria externa sobre os dados reportados. Segundo a CVM, a proposta busca ampliar transparência e previsibilidade para investidores e agentes financeiros.

Para João Alves da Rocha Loures, coordenador do Comitê de ESG do Ibef-PR, a discussão sobre ESG entrou definitivamente em uma nova fase dentro das empresas brasileiras. “O ESG deixou de ser apenas uma agenda reputacional. Hoje ele impacta crédito, investimento, competitividade e gestão de riscos. Essa mudança afeta diretamente decisões financeiras e o posicionamento das empresas no mercado”, explicou o coordenador.

Durante o encontro promovido pelo Ibef-PR, a CEO da Roadimex e Head do Impacto+, Cris Baluta, destacou que o mercado passou a tratar a sustentabilidade como variável econômica concreta, especialmente diante da pressão crescente de investidores, fundos e instituições financeiras por previsibilidade e gestão de riscos climáticos. Segundo ela, empresas que não demonstrarem capacidade de adaptação às novas exigências tendem a enfrentar maior dificuldade de acesso a crédito, capital e oportunidades comerciais.

O Brasil foi um dos primeiros mercados do mundo a internalizar oficialmente os padrões globais do ISSB, antecipando um movimento regulatório que já avança na Europa, Estados Unidos e Ásia.

A adoção obrigatória das novas regras também deve atingir pequenas e médias empresas que fornecem para grandes grupos econômicos, especialmente nos setores industrial, financeiro e do agronegócio.

Palestrante do encontro promovido pelo Ibef-PR, Thâmara de Lima, gestora de projetos do Uniformes do Bem, ressaltou que a transformação regulatória já começa a avançar sobre toda a cadeia produtiva. De acordo com ela, grandes companhias passaram a exigir mais rastreabilidade, indicadores ambientais e critérios de governança de fornecedores e parceiros comerciais, ampliando a pressão também sobre pequenas e médias empresas.

Sustentabilidade auditável

Outro tema debatido durante o encontro foi o avanço da chamada “sustentabilidade auditável”, conceito que ganha força com a obrigatoriedade de validação externa dos relatórios ESG. Na prática, os dados ambientais passam a exigir rastreabilidade, controle interno e responsabilização semelhantes aos aplicados às demonstrações financeiras tradicionais.

Para Giuliano Marchiani, CEO da OASYS e também palestrante do evento do Ibef-PR, o mercado vive um processo de amadurecimento em relação ao ESG, deixando para trás discursos genéricos para priorizar indicadores concretos, métricas auditáveis e capacidade real de gestão. Segundo ele, a tendência é que investidores e agentes financeiros passem a diferenciar cada vez mais empresas que apenas comunicam iniciativas sustentáveis daquelas que efetivamente conseguem comprovar resultados e eficiência operacional.

O encontro contou com o patrocínio de Gaia Silva Gaede Advogados, TOTVS, Sancor Seguros, PwC, C6 Bank e teve a Gazeta do Povo como media partner.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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