O que separa empresas que crescem das que apenas sobrevivem?

Maior erro dos empresários é confundir movimento com progresso
Enquanto algumas empresas conseguem atravessar crises, expandir operações e ganhar mercado mesmo em cenários adversos, outras passam anos presas em um ciclo constante de sobrevivência. A diferença entre elas raramente está apenas no produto, no investimento ou na tecnologia, mas principalmente na capacidade de transformar estratégia em execução consistente.
Para Thiago Nalesso Cardoso, executivo com mais de 25 anos de experiência nos setores de compras, vendas, logística e expansão comercial, crescimento sustentável depende de uma combinação que muitas empresas ainda subestimam: liderança forte, cultura organizacional consistente, processos claros, dados confiáveis e formação contínua de pessoas. “Tecnologia e investimento ajudam, mas não sustentam crescimento sozinhos. O que sustenta crescimento no longo prazo é gente preparada, disciplina de execução, clareza operacional e proximidade real com o cliente”, afirma.
Segundo o executivo, um dos maiores erros das empresas que permanecem presas ao chamado “modo sobrevivência” é confundir movimento com progresso. Muitas organizações acumulam reuniões, iniciativas, metas e mudanças constantes, mas operam sem prioridades claras e sem capacidade de transformar estratégia em rotina operacional.
“É muito comum encontrar empresas com boas estratégias no papel, mas dificuldade de transformar isso em execução comercial, visita ao cliente, abastecimento, treinamento de equipe e melhoria de processo. Crescimento sustentável depende da capacidade de fazer a estratégia chegar até a ponta”, explica Cardoso.
Outro problema recorrente, segundo o especialista, é a dependência excessiva do fundador ou de poucos executivos centrais. Enquanto todas as decisões permanecem concentradas em poucas pessoas, a empresa pode até continuar operando, mas dificilmente consegue ganhar escala de forma estruturada. “Crescimento exige delegação, processo, indicadores e formação de lideranças. Empresas que não desenvolvem gente acabam limitadas pela capacidade individual dos seus principais executivos”, destaca.
Liderança
A qualidade da liderança também aparece como fator decisivo nesse processo, já que liderar não significa apenas cobrar metas ou acompanhar resultados financeiros, mas criar ambiente, método e ritmo de execução capazes de sustentar crescimento mesmo em cenários adversos. O líder precisa construir cultura, desenvolver pessoas e assumir responsabilidade pelo padrão operacional que tolera dentro da empresa.
Além da liderança, Cardoso acredita que muitas empresas brasileiras ainda subestimam o peso da execução operacional no crescimento de longo prazo, especialmente em setores ligados ao varejo, atacado, distribuição e logística, onde diferenças regionais, comportamento do consumidor e capacidade operacional possuem impacto direto sobre a expansão. “Existe uma tendência de valorizar muito a estratégia, o produto e o investimento, mas menosprezar o que acontece na ponta: no cliente, no ponto de venda, na logística e na rotina comercial. Não existe expansão sustentável sem domínio operacional”, ressalta.
O executivo também alerta para outro gargalo frequente dentro das organizações: o uso superficial de dados. Segundo ele, muitas empresas possuem sistemas, dashboards e relatórios, mas ainda não conseguem transformar informação em inteligência prática para tomada de decisão, e muitas decisões ainda seguem apenas por intuição. Dados ajudam a enxergar margem, produtividade, inadimplência, ruptura, comportamento do cliente e oportunidades reais de expansão.
Na avaliação do executivo, o crescimento consistente depende de uma sequência que muitas empresas tentam inverter: primeiro, pessoas; depois, processos, dados, tecnologia, decisão e geração de valor.
“Muita gente quer começar pela tecnologia, mas esquece que ela apenas potencializa aquilo que já existe. Se a empresa tem processos confusos, dados ruins e uma cultura sem responsabilidade, a tecnologia só acelera a desorganização”, conclui Thiago Cardoso.
Imagem: ChatGPT/OpenAI








