Reforma tributária expõe risco de até R$ 500 bilhões em crédito entre empresas no Brasil

Reforma tributária expõe risco de até R$ 500 bilhões em crédito entre empresas no Brasil

Novo índice mostra que 37% dos fornecedores podem gerar perda de crédito para empresas, alterando a lógica de compras no país

A reforma tributária brasileira começa a revelar um impacto bilionário ainda pouco explorado no mercado com risco direto sobre o crédito fiscal nas relações entre empresas. O Índice de Saúde Fiscal de Fornecedores B2B (ISF-B2B), da Gedanken, empresa brasileira de tecnologia que trabalha com dados de homologação e compliance de terceiros, aponta que até R$ 500 bilhões em créditos B2B podem estar em risco anualmente no país, em função da situação tributária dos fornecedores.

Os dados fazem parte da edição inaugural do Índice, construído a partir da análise de mais de 500 mil CNPJs no Brasil, e mostram uma mudança estrutural no funcionamento do sistema tributário. Com a implementação da Lei Complementar 214/2025, o direito ao crédito deixa de depender apenas da operação e passa a estar diretamente condicionado à regularidade fiscal do fornecedor, o que transforma a inadimplência de terceiros em prejuízo direto para quem compra.

De acordo com Lucas Madureira, co-CEO da Gedanken, pela primeira vez, o risco fiscal deixa de estar concentrado no fornecedor e passa a impactar diretamente o resultado de quem compra, o que muda completamente a lógica das relações B2B no país. “Esse novo cenário altera profundamente a dinâmica do B2B. O comprador passa a assumir um papel mais ativo na gestão do risco fiscal, o que torna indispensável o uso de tecnologia e inteligência de dados para garantir conformidade e segurança nas transações”, frisa.

O indicador revela ainda que 37% dos fornecedores apresentam risco de perda total ou parcial de crédito, somando empresas com dívidas fiscais e aquelas enquadradas no Simples Nacional. No recorte, 9% dos fornecedores possuem dívida ativa, o que pode zerar completamente o crédito tributário das empresas compradoras, enquanto 28,2% estão no Simples Nacional, regime que limita significativamente a geração de créditos e tende a ampliar distorções com a nova lógica tributária.

“Existe um problema estrutural relevante aqui. Uma parcela significativa dos fornecedores hoje opera em regimes que, na prática, reduzem ou até eliminam o crédito tributário. Com a reforma, isso deixa de ser um detalhe técnico e passa a ter impacto direto na margem das empresas”, explica o executivo.

Na prática, os dados mostram que o impacto vai além do compliance e atinge diretamente a competitividade das empresas. Um dos exemplos analisados indica que um fornecedor com preço nominal 15% mais baixo pode se tornar mais de 11% mais caro no custo final, após a perda de créditos tributários, evidenciando que decisões baseadas apenas em preço tendem a se tornar financeiramente equivocadas no novo modelo.

“O preço nominal deixa de ser um bom critério isolado de decisão. Empresas que não incorporarem a variável tributária na análise de fornecedores correm o risco de tomar decisões economicamente equivocadas”, aponta Madureira.

O estudo também aponta diferenças relevantes entre regiões e setores. O Norte lidera o risco, com 11,1% dos fornecedores em situação irregular, enquanto o setor de Tecnologia e Telecom registra a maior deterioração recente, chegando a 15,2%. Microempresas também chamam atenção, com avanço significativo nos indicadores de irregularidade no período analisado.

“A tendência é que a saúde fiscal passe a ser um critério competitivo central no mercado B2B. Não é mais apenas uma questão de compliance, mas de eficiência financeira e sustentabilidade de margem”, finaliza.

Com um mercado B2B estimado entre R$ 5 trilhões e R$ 6 trilhões por ano no Brasil, o levantamento indica que a reforma tributária deve alterar de forma estrutural a lógica de compras entre empresas, exigindo uma revisão profunda nos critérios de seleção de fornecedores. Mais do que preço ou prazo, a saúde fiscal passa a ser um fator determinante para preservar margem, crédito e competitividade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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