Espera por ações trabalhistas tem impacto direto na vida financeira dos trabalhadores

Levantamento mostra que 83,8% das pessoas com ações na Justiça do Trabalho consideram o valor da indenização importante para organizar a vida financeira
Um levantamento realizado com pessoas que possuem ou já possuíram ações na Justiça do Trabalho mostra que o crédito trabalhista exerce papel relevante na organização financeira desse público. Segundo a pesquisa, 83,8% dos entrevistados consideram o valor da indenização moderadamente importante, importante ou muito importante.
Realizada pela UserX, o levantamento ouviu 600 pessoas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Todos os participantes possuem ou já possuíram processos trabalhistas contra empresas.
Os dados também mostram que a espera pelo encerramento das ações continua sendo uma realidade para grande parte dos entrevistados: 73,8% ainda possuem processos em andamento e 62,8% afirmaram não ter recebido qualquer valor até o momento.
A relevância financeira desses recursos aparece também na forma como os entrevistados pretendem utilizar o dinheiro da indenização. Entre os principais destinos apontados estão o pagamento de dívidas (41,7%), a reorganização financeira (35,3%) e a cobertura de despesas básicas (24,5%).
Antecipação do valor
Quando informados sobre a possibilidade de antecipar parte do valor por meio da cessão de créditos trabalhistas, 51,8% afirmaram que considerariam realizar a operação. Prevista no artigo 286 do Código Civil, a cessão permite ao titular do crédito transferir o direito de recebimento mediante o pagamento à vista, assumido por uma empresa especializada.
O estudo indica, porém, que a decisão está fortemente associada à percepção de segurança e confiança. Cerca de 69% dos entrevistados afirmaram que a recomendação do advogado teria grande influência na decisão, enquanto 71,7% disseram que se sentiriam mais seguros com a indicação de alguém de confiança.
Além disso, a principal barreira identificada pela pesquisa não está relacionada ao valor do desconto aplicado na operação, mas ao receio de fraudes. O medo de golpes foi apontado por 34,2% dos entrevistados como o principal fator de resistência à cessão de créditos.
Para Rafael Lima, fundador da BT Créditos, os resultados mostram que a discussão sobre liquidez judicial está diretamente relacionada à necessidade de previsibilidade financeira enfrentada por trabalhadores que aguardam o encerramento de processos.
“Os dados demonstram que o crédito trabalhista possui importância concreta para a vida financeira das pessoas. Ao mesmo tempo, mostram que decisões relacionadas a esse patrimônio dependem de informação clara, segurança jurídica e confiança. A antecipação não deve ser entendida como uma forma de endividamento, mas como uma alternativa de acesso a recursos que já pertencem ao trabalhador”, afirma Lima.
Contratante do levantamento, a BT Créditos atua desde 2019 na antecipação de créditos trabalhistas para pessoas físicas e escritórios de advocacia. A companhia adota critérios rigorosos de análise e opera apenas em processos com créditos reconhecidos judicialmente e perfil de risco compatível com a política de investimento. “Buscamos atuar em situações nas quais exista previsibilidade jurídica e econômica. Ainda assim, eventual risco de insucesso ao final do processo é integralmente assumido por nós”, conclui Lima.








