Compras da China ficaram mais baratas com nova regra de importação?

Compras da China ficaram mais baratas com nova regra de importação?

Mudança no imposto para remessas de até US$ 50 abre discussão sobre preço, varejo e importação no Brasil

Comprar em plataformas internacionais já faz parte da rotina de muitos brasileiros. Sites como Shein, Shopee, AliExpress e Temu se popularizaram ao oferecer roupas, acessórios, eletrônicos, itens de casa e pequenos produtos com preços atrativos. Com a mudança nas regras de tributação para compras internacionais de baixo valor, voltou a crescer a dúvida entre consumidores e empresas: comprar da China ficou realmente mais barato?

Márcio Buteri, proprietário da GX5 Import, formado em Administração em Comércio Exterior e com mais de 27 anos de experiência em operações internacionais, explica que a resposta depende da composição do custo final. Segundo ele, a redução do imposto federal pode tornar algumas compras mais atrativas, mas não elimina outras despesas que continuam pesando no valor pago pelo consumidor, como ICMS, frete, câmbio e eventuais custos de entrega.

A Receita Federal atualizou as orientações sobre compras internacionais após as novas regras de tributação, válidas para declarações de importação de remessas registradas desde 12 de maio de 2026. Entre as mudanças estão a alíquota zero de imposto de importação para compras de até US$ 50 em plataformas certificadas pelo rograma Remessa Conforme, a aplicação automática de desconto de US$ 30 para compras acima desse valor e o cálculo do ICMS, imposto estadual que segue incidindo sobre essas operações.

Compras de baixo valor

Na prática, a mudança pode reduzir parte do custo em compras internacionais de baixo valor, especialmente em produtos de consumo rápido e itens pequenos. A queda do imposto federal melhora a percepção de preço para o consumidor, mas não significa que todos os produtos importados ficarão mais baratos. O valor final ainda depende da soma entre mercadoria, frete, câmbio, ICMS e regras de processamento da remessa no Brasil.

A discussão também envolve o varejo nacional. Com menor tributação federal em parte das compras, plataformas internacionais podem ganhar mais competitividade em categorias como moda, acessórios, eletrônicos simples e utilidades domésticas. Para lojistas brasileiros, o tema reacende o debate sobre concorrência, carga tributária e condições de disputa com empresas estrangeiras que vendem diretamente ao consumidor final.

Para o empresário, é importante diferenciar a compra feita por pessoa física da importação empresarial. “A remessa internacional de pequeno valor segue uma lógica diferente de uma importação feita por empresa. O consumidor olha principalmente para o preço exibido na plataforma, mas uma operação empresarial envolve classificação fiscal, documentação, tributos, logística e conformidade regulatória”, afirma.

Outro ponto que merece atenção é a falsa sensação de que a compra internacional se resume ao preço anunciado no site. Produtos importados podem sofrer variação cambial, atraso na entrega, conferência aduaneira e dificuldade em processos de troca ou garantia. Em itens de baixo valor, esses fatores muitas vezes passam despercebidos. Em operações empresariais, podem comprometer margem, prazo e planejamento de estoque.

“Quando se fala em importação, o preço da mercadoria é apenas uma parte da conta. Frete, imposto, prazo, documentação e risco operacional precisam entrar na análise. Uma compra aparentemente barata pode perder vantagem quando esses fatores não são considerados”, explica Márcio.

As novas regras devem manter as compras internacionais no centro do debate econômico, principalmente pela relação direta com o bolso do consumidor e com a competitividade do varejo brasileiro. Para quem compra em plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu, o ponto principal é observar o custo total antes de concluir a compra. A redução de parte da tributação pode ajudar em alguns casos, mas o preço final continua sendo resultado de uma cadeia maior, que começa fora do país e só termina quando o produto chega ao comprador.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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