Copa do Mundo 2026 expõe erro que muitas empresas ainda cometem ao vender

Copa do Mundo 2026 expõe erro que muitas empresas ainda cometem ao vender

Grandes mobilizações coletivas ajudam empresas a entender como consumidores tomam decisões, constroem vínculos e desenvolvem lealdade às marcas

As primeiros semanas da Copa do Mundo 2026 estão mostrando algo que vai além dos resultados em campo. Enquanto as seleções disputam os jogos do torneio, especialistas observam outro movimento que acontece fora dos gramados, que é a forma como emoções coletivas influenciam decisões de consumo, fortalecem comunidades e aproximam consumidores das marcas. Para empresas que buscam compreender o comportamento do cliente, o torneio se tornou uma das maiores vitrines de influência social do planeta.

Para Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente, criador do método EPL (Encantar Para Lucrar) e fundador da Encantar Mentory, eventos como a Copa do Mundo ajudam a explicar por que consumidores frequentemente tomam decisões baseadas em emoção, identificação social e conexão com grupos antes mesmo de considerarem fatores racionais. Segundo ele, compreender esses movimentos se tornou uma vantagem competitiva para organizações que desejam fortalecer fidelização, retenção de clientes e crescimento sustentável.

O interesse pelo tema ganha força em um momento em que grandes eventos vêm demonstrando capacidade crescente de movimentar o consumo. Dados do Mastercard Economics Institute mostram que os gastos relacionados a experiências ao vivo seguem em expansão e representaram 33,7% das despesas dos consumidores europeus com experiências no primeiro trimestre de 2025, acima dos níveis registrados antes da pandemia.

Especialistas em comportamento observam que grandes mobilizações esportivas, culturais e de entretenimento costumam acelerar mecanismos de influência social. Quando milhões de pessoas acompanham simultaneamente um mesmo acontecimento, aumenta a tendência de replicação de comportamentos, compartilhamento de experiências e formação de grupos em torno de interesses comuns.

O que a Copa revela sobre o comportamento do consumidor

Na avaliação do fundador da Encantar Mentory, uma das principais lições da Copa do Mundo para as empresas está na compreensão do papel das comunidades na construção de relacionamentos duradouros.

“Durante a competição, o consumidor quer fazer parte de algo maior. Ele veste a camisa, comenta nas redes sociais, participa de grupos e compartilha emoções em tempo real. O mesmo comportamento acontece na relação com empresas que conseguem criar identificação e senso de comunidade”, explica.

Na perspectiva do criador do método EPL, organizações que investem em relacionamento contínuo e jornada do cliente costumam gerar mais engajamento porque conquistam relevância na rotina das pessoas, e não apenas no momento da compra.

“A fidelização nasce quando o cliente sente que faz parte da história da marca. É exatamente isso que vemos em grandes eventos esportivos. O senso de pertencimento gera participação, recomendação e recorrência”, afirma.

A influência social vale mais do que muitos descontos

Outro comportamento evidenciado durante a competição é o aumento das decisões de compra influenciadas por fatores emocionais e pela interação social. Promoções, campanhas temáticas e experiências compartilhadas costumam ganhar força justamente porque estão associadas a sentimentos positivos e momentos de celebração coletiva.

“O consumidor raramente decide apenas pela lógica. A emoção participa do processo praticamente o tempo todo. Eventos globais apenas tornam isso mais visível. As empresas que entendem essa dinâmica conseguem criar experiências mais relevantes e memoráveis”, afirma o especialista em fidelização de clientes.

Estudos sobre impacto econômico de grandes eventos também mostram que mobilizações coletivas costumam estimular gastos adicionais em diversas categorias relacionadas a lazer, alimentação, turismo, entretenimento e experiências presenciais. Pesquisas recentes do Mastercard Economics Institute e análises econômicas sobre eventos esportivos internacionais apontam crescimento do consumo associado ao engajamento emocional gerado por essas ocasiões.

Por que algumas marcas criam fãs e outras apenas clientes

Para o empresário, a principal lição para gestores e lideranças está em compreender menos o produto isoladamente e mais os fatores que influenciam o comportamento do consumidor.

“A Copa do Mundo 2026 mostra que as decisões de consumo são profundamente influenciadas por fatores sociais e emocionais. Negócios que investem em experiência do cliente, senso de comunidade e relacionamento estratégico tendem a desenvolver vínculos mais duradouros e aumentar a retenção de clientes”, afirma.

O executivo destaca que a transformação digital ampliou a velocidade das interações, mas não alterou os fatores que influenciam a tomada de decisão das pessoas.

“As plataformas evoluem, os canais se transformam, mas a busca por reconhecimento, identificação e relacionamento continua presente no comportamento humano. Quem compreende isso consegue transformar relacionamento em resultado de negócio”, conclui.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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