Medo geopolítico segura queda do ouro , mas juros travam nova disparada

Tensão entre EUA e Irã sustenta busca por proteção, mas petróleo caro e juros americanos limitam força do metal
O movimento do ouro à vista nesta sexta-feira (10) mostrou um mercado dividido. De um lado, a tensão entre Estados Unidos e Irã aumenta a procura por ativos de proteção e impede uma queda mais forte do metal. De outro, a alta do petróleo reacende o risco de inflação nos Estados Unidos e reduz a chance de uma política monetária mais branda pelo Federal Reserve.
É essa combinação que trava a cotação do ouro em relação ao dólar (XAU/USD). Segundo o especialista da Corretora Ourominas, Mauriciano Cavalcante, há demanda defensiva, mas não há força suficiente para uma arrancada consistente. “A leitura mais importante não é apenas a variação do dia, mas o fato de o ouro continuar defendendo a região dos US$ 4.100 por onça-troy”, afirma.
Na avaliação do especialista, esse patamar virou uma espécie de zona de equilíbrio entre medo geopolítico e juros americanos. “Quando o investidor compra ouro hoje, ele está buscando proteção contra instabilidade, inflação e deterioração do cenário global. Quando vende, está reagindo ao custo de carregar um ativo que não paga juros em um ambiente em que os Treasuries seguem competitivos. Por isso, o resultado de hoje não sugere perda de relevância do ouro. Sugere pausa, realização e ajuste de preço”.
O ouro segue sustentado como seguro contra eventos extremos, mas ainda depende de um gatilho mais claro para voltar a subir com força: queda dos juros reais nos Estados Unidos, enfraquecimento do dólar ou uma escalada geopolítica que leve investidores globais a priorizar segurança em vez de rendimento. Enquanto isso, o ouro à vista tende a oscilar perto dos US$ 4.100, com suporte no medo e resistência nos juros, conclui Cavalcante.








