Alta expressiva das resinas plásticas pressiona indústria da primeira infância

Alta expressiva das resinas plásticas pressiona indústria da primeira infância

Escalada nos custos da principal matéria-prima do setor pressiona fabricantes e exige adaptação diante das incertezas da cadeia global de suprimentos

A indústria brasileira da primeira infância enfrenta um novo desafio diante da alta histórica das resinas plásticas, uma das principais matérias-primas de diversos produtos utilizados por bebês e crianças. Impulsionada pela volatilidade do petróleo e pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio, a escalada dos custos vem afetando fabricantes de itens como mamadeiras, chupetas, potes para armazenamento, utensílios de alimentação e acessórios infantis.

Os efeitos desse movimento já são percebidos por empresas do setor. Na Mami&Co, holding especializada em produtos para gestantes, bebês e crianças, alguns insumos plásticos específicos utilizados na fabricação de seu portfólio registraram aumento de aproximadamente 230% em 40 dias, evidenciando a intensidade da pressão sobre determinados materiais.

O impacto, no entanto, varia conforme a composição de cada produto. Itens fabricados majoritariamente com resinas plásticas são mais sensíveis às oscilações do mercado petroquímico, enquanto produtos como chupetas possuem uma combinação de silicone e plástico, reduzindo a exposição às variações de um único insumo.

“Na indústria da primeira infância, não basta substituir uma matéria-prima ou trocar de fornecedor. Estamos falando de produtos que precisam atender rigorosos padrões de segurança e certificação, o que torna qualquer mudança muito mais criteriosa. Em momentos como este, a gestão da cadeia de suprimentos passa a ser tão estratégica quanto o próprio desenvolvimento dos produtos”, afirma Carol Zein, sócia-diretora da Mami&Co.

Cenário global

A origem dessa volatilidade está relacionada ao cenário global dos mercados de energia e petroquímica. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (ADIRPLAST), a valorização do petróleo elevou o preço da nafta, principal insumo petroquímico utilizado na fabricação de resinas, para mais de US$ 870 por tonelada, alta de aproximadamente 55% em apenas um mês. A combinação entre restrições de oferta e aumento dos custos de produção ampliou a instabilidade nos preços das matérias-primas.

Esse movimento já se reflete em diferentes elos do setor plástico. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), o conflito no Oriente Médio provocou um choque nos preços internacionais das resinas, com aumentos que chegam a até 100% em alguns mercados e tipos de material. A entidade avalia que, mesmo diante de uma eventual estabilização geopolítica, a normalização do fornecimento deverá ocorrer de forma gradual nos próximos meses.

Embora a evolução dos preços dependa do comportamento do mercado internacional, a expectativa é de que a cadeia de resinas passe por um processo gradual de estabilização. Até lá, empresas seguem revisando estratégias de compras, relacionamento com fornecedores e composição de portfólio para reduzir os efeitos da volatilidade e manter a disponibilidade dos produtos ao consumidor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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