Cartão de crédito lidera dívidas do Desenrola

Levantamento aponta que 50% dos acordos na iniciativa do governo envolvem faturas de cartão
Mais da metade das dívidas renegociadas na plataforma no âmbito do Desenrola têm relação com gastos feitos no cartão de crédito. É o que mostra o levantamento realizado pela Acordo Certo, plataforma e marketplace de renegociação de dívidas. De acordo com o balanço das renegociações realizadas na plataforma desde o início do Desenrola, das mais de 89 mil dívidas negociadas, aproximadamente 45 mil são de cartão, o equivalente a 50% do volume total de acordos fechados.
Os números ganham peso na reta final do prazo para renegociar dívidas pelo Desenrola 2.0, prorrogado até 31 de agosto, e acendem um alerta sobre o uso do cartão nas compras do dia a dia. Dados do Banco Central mostram que o cartão de crédito é apontado como o principal fator de endividamento por 83,6% das famílias brasileiras, comprometendo sozinho 54% da renda familiar. O rotativo do cartão segue entre as modalidades mais caras do mercado, com juros médios que superam 430% ao ano, mesmo após as novas regras para o setor.
Para ajudar quem depende do cartão no orçamento mensal a evitar que a fatura vire bola de neve, Eduardo Cavalheiro, gerente de comunicação da Consumidor Positivo, reúne quatro orientações práticas para reduzir o risco de endividamento.
1. Calcule o limite ideal antes de aceitar o valor oferecido pelo banco
O limite do cartão deve estar de acordo com a renda e o orçamento do consumidor. Uma referência prática é que ele não ultrapasse 30% da renda mensal. Quem recebe R$ 2 mil, por exemplo, teria como limite de referência R$ 600. Para facilitar essa conta, a Acordo Certo disponibiliza gratuitamente, e sem necessidade de cadastro, uma calculadora de limite ideal em seu blog.
“O limite ideal não é necessariamente aquele que o banco oferece, mas aquele que o consumidor consegue administrar sem comprometer as despesas básicas”, explica Eduardo.
2. Evite pagar apenas o mínimo da fatura
O pagamento mínimo pode aliviar o orçamento naquele mês, mas coloca o saldo restante no crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado, com juros que podem superar 400% ao ano. A recomendação é quitar a fatura integralmente, sempre que possível.
“O pagamento mínimo deve ser uma situação excepcional, e não uma estratégia para administrar o orçamento”, alerta Cavalheiro.
3. Compare antes de parcelar a fatura
Antes de aceitar automaticamente o parcelamento oferecido pelo cartão, vale comparar outras modalidades de crédito. Dependendo das condições, um empréstimo pessoal ou outra alternativa de crédito pode ter menor custo.
“Não basta olhar apenas se a parcela cabe no bolso. É preciso comparar quanto será pago no total e considerar o Custo Efetivo Total”, orienta o especialista.
4. Cuidado ao pedir um segundo cartão
Ter outro cartão para “esticar” o limite pode aumentar o risco de perder o controle financeiro. São novas faturas, vencimentos e compromissos para administrar.
“Se o limite atual não está sendo suficiente, é importante primeiro entender se o problema está no limite ou na relação entre renda e gastos”, afirma Cavalheiro.
Renegociar a dívida é apenas o primeiro passo
O volume de dívidas de cartão entre as renegociações evidencia a importância de combinar a recuperação financeira com ações de prevenção. O especialista reforça que a Acordo Certo viabiliza acordos, conectando consumidores endividados a credores parceiros, e disponibiliza conteúdos e ferramentas gratuitas de educação financeira.
A orientação é que o cartão seja uma ferramenta de planejamento, e não uma extensão da renda. “Definir um limite compatível com o orçamento, evitar o pagamento mínimo, comparar alternativas de crédito e ter cautela ao acumular cartões são medidas que podem ajudar o consumidor a não repetir o ciclo de endividamento”, concluiu.








