BNDES e Prefeitura de Curitiba assinam acordo para enterrar fiação e modernizar estrutura urbana

Banco apoia mobilidade urbana na capital paranaense, com estruturação de concessão e modelagem de ônibus elétricos
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Município de Curitiba firmaram nesta terça-feira, 25, protocolo de intenções de cooperação institucional visando à estruturação de um projeto de modernização da infraestrutura urbana da capital paranaense. O projeto integra a implantação de 120 km de redes subterrâneas de energia elétrica e telecomunicações a soluções de cidades seguras e inteligentes.
O investimento estimado para a implantação da proposta é superior a R$ 1,2 bilhão. A iniciativa prevê a infraestrutura subterrânea compartilhada para redes de energia e telecomunicações, além da modernização e zeladoria do cabeamento aéreo remanescente e da ampliação de soluções tecnológicas voltadas à segurança e à gestão urbana, como videomonitoramento, sensores e sistemas integrados.
Da acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além de evitar falhas e vulnerabilidades nos serviços de energia, iluminação pública e telecomunicações, o projeto atende à segurança, ao reordenamento urbano e à modernização da gestão, com integração digital e soluções de cidades inteligentes.
“Os custos que a cidade paga por não enterrar a fiação são gigantescos, como a mudança do clima, os vendavais e o El Niño este ano já estão demonstrando: no Rio de Janeiro em São Paulo, por exemplo, há famílias que ficam uma semana, 34 dias sem energia, sem internet. É uma necessidade histórica, é caro e precisa de um plano diretor, por isso será desenhado um marco regulatório, como foi feito no saneamento”, destaca Mercadante.
A etapa de estruturação deverá avaliar os aspectos técnicos, econômico-financeiros, jurídicos, regulatórios e institucionais necessários à definição do modelo mais adequado, considerando, entre outros elementos, as interfaces com concessões e contratos existentes, a regulação dos setores elétrico e de telecomunicações e as alternativas de participação da iniciativa privada.
“Curitiba já foi pioneira na introdução do BRT, o ônibus por canaleta, os biarticulados, e hoje mais de 200 cidades do mundo também utilizam essa mesma tecnologia. Que esse projeto piloto entre a Prefeitura e o BNDES traga avanços na regulamentação nacional e o enterramento de fios e cabos conte com investimento cada vez mais facilitado”, disse o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel.
Mobilidade urbana
A Prefeitura de Curitiba publicou na quarta-feira, 19, o edital de licitação da nova concessão do transporte público coletivo da cidade, estruturado pelo BNDES. O Banco foi contratado para a tarefa pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), sociedade de economia mista responsável pelo planejamento, gestão e fiscalização dos modais de mobilidade urbana no município.
A modelagem prevê concessões de 15 anos, distribuídas em cinco lotes, sendo dois estruturais (BRTs) e três regionais. Com investimento total previsto de R$ 3,9 bilhões, a nova concessão contempla ampliação e renovação da frota, maior oferta de ônibus com ar-condicionado, monitoramento por câmeras, ampliação da integração temporal e redução do tempo de deslocamento.
Também está previsto o aumento gradual da eletromobilidade, com o crescimento da frota elétrica de 7 para cerca de 250 ônibus em cinco anos. A meta é que aproximadamente um terço da oferta de assentos do sistema seja operada por veículos de emissão zero até 2031.
Financiamento do BNDES
“Os investimentos em transição energética na frota de Curitiba contarão com financiamento do BNDES”, destaca Mercadante. “O Banco aprovou R$ 380 milhões para a mobilidade sustentável na cidade. Os recursos, vindos do Fundo Clima, são destinados à aquisição de ônibus elétricos e à implantação de eletroposto público, para a recarga das baterias desses veículos”.
Segundo o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), realizado pelo Banco em parceria com o Ministério das Cidades, a Região Metropolitana de Curitiba tem potencial para ampliar de 114 km para 206 km sua rede de transporte público de média e alta capacidade. Com investimentos previstos de R$ 11,7 bilhões a R$ 22,7 bilhões, a expansão projetada compreende projetos de implantação de metrô, VLT e novos eixos de BRT, além da extensão dos já existentes.
Crédito da foto: Jackson Mendes/BNDES








