Quando uma dívida prescreve?

Quando uma dívida prescreve?

Entender os prazos pode evitar decisões financeiras equivocadas e ampliar chances de negociação

A crença de que uma dívida “desaparece” após cinco anos ainda influencia o comportamento de parte dos consumidores brasileiros e afeta a dinâmica do mercado de recuperação de crédito. Embora a legislação estabeleça prazos prescricionais que limitam a cobrança judicial de determinados débitos, não significa que a obrigação financeira seja automaticamente extinta. Nesse cenário, especialistas alertam que a interpretação equivocada sobre a prescrição pode levar consumidores a adiarem negociações, reduzindo oportunidades de acordos e prolongando situações de inadimplência.

De acordo com o Código Civil, a maior parte das obrigações financeiras, como empréstimos, financiamentos e contratos bancários, está sujeita ao prazo prescricional de cinco anos, mas há exceções conforme a natureza da dívida. Ainda assim, mesmo após esse período, os débitos podem continuar sendo negociados entre credores e consumidores, desde que haja interesse de ambas as partes.

Para Thiago Oliveira, CEO da Monest, empresa especializada em inteligência artificial para recuperação de crédito, a desinformação sobre o tema ainda é um dos principais entraves para a regularização financeira.

“Existe uma percepção difundida de que basta esperar cinco anos para que o problema seja resolvido, o que é um mito e isso faz com que muitas pessoas deixem passar oportunidades de negociação em condições vantajosas. A prescrição limita a cobrança judicial em determinadas situações, mas não elimina automaticamente a obrigação nem encerra o relacionamento financeiro entre credor e consumidor”, ressalta Oliveira.

Segundo o especialista, esse cenário também impacta a eficiência do mercado de crédito. Ele explica que quanto mais tempo uma dívida permanece sem qualquer tentativa de acordo, menores tendem a ser as chances de recuperação integral dos valores e maior é o custo da inadimplência para todo o sistema financeiro. “A negociação precoce costuma gerar benefícios para ambos os lados, pois o consumidor consegue reorganizar sua vida financeira antes que a dívida se torne um problema de longo prazo, enquanto empresas reduzem custos operacionais e aumentam a taxa de recuperação de crédito”, diz.

Restrição cadastral

Outro ponto que frequentemente gera confusão é a diferença entre a prescrição da cobrança judicial e o prazo de permanência da negativação nos órgãos de proteção ao crédito. A restrição cadastral pode permanecer por até cinco anos, após isso deve ser retirada, mas isso não significa que o débito tenha deixado de existir ou que não possa ser negociado posteriormente.

Na avaliação de Oliveira, a digitalização das jornadas de cobrança vem contribuindo para mudar essa lógica ao aproximar consumidores de soluções mais rápidas e personalizadas. Plataformas baseadas em inteligência artificial conseguem identificar o melhor momento para iniciar uma conversa, adaptar propostas ao perfil financeiro de cada pessoa e ampliar o engajamento ao longo do processo de negociação.

“O mercado evoluiu de um modelo centrado na cobrança para uma lógica de recuperação baseada em relacionamento e dados e, com isso, as chances de um acordo aumentam significativamente. Hoje em dia, informação e tecnologia têm um papel cada vez mais relevante para reduzir a inadimplência de forma sustentável. A tomada de decisão financeira tende a produzir melhores resultados quando é baseada em informação qualificada e na busca por soluções negociadas, em vez da expectativa de que o tempo, por si só, resolverá a dívida.”, finaliza Oliveira.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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