Alta do asfalto pressiona custos e saúde financeira de empresas de infraestrutura no Paraná

Alta do asfalto pressiona custos e saúde financeira de empresas de infraestrutura no Paraná

Infravia-PR alerta para disparada do ligante asfáltico, influenciada pela valorização do petróleo e pelas tensões no Oriente Médio

A forte elevação dos preços dos derivados de petróleo vem pressionando os custos das empresas responsáveis pela execução de obras rodoviárias no Paraná e aumentando a preocupação com a saúde financeira do setor. O principal ponto de atenção é o cimento asfáltico de petróleo (CAP), insumo essencial para a pavimentação, que acumula alta superior a 42% em 2026 em determinadas regiões. Somado à elevação do diesel e de outros custos operacionais, o aumento reduz as margens previstas nos contratos e amplia o descompasso entre o valor contratado e o custo efetivo das obras.

A Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Paraná (Infravia-PR), que reúne 36 empresas do setor no Estado, defende que os mecanismos de reajuste e recomposição econômico-financeira acompanhem, em tempo adequado, a realidade dos custos. Para a entidade, a medida é necessária para preservar a capacidade financeira das empresas e a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura no Paraná.

“Estamos diante de uma elevação de custos provocada por fatores externos às empresas. O petróleo sobe no mercado internacional e esse movimento chega diretamente ao custo da pavimentação. Por isso, é fundamental que os mecanismos de reajuste e recomposição dos contratos acompanhem essa realidade em tempo adequado, preservando a saúde financeira das empresas e a capacidade de execução dos investimentos no Paraná”, afirma Rodrigo Gawlik Jr., secretário-geral da Infravia-PR.

O cenário ocorre em um momento de forte volume de investimentos rodoviários no Estado. Projetos estruturantes estão em execução ou em planejamento em diferentes regiões, incluindo intervenções na BR-277, duplicações e ampliações da malha. Apenas um dos pacotes voltados ao acesso ao litoral prevê cerca de R$1,5 bilhão em obras, com entregas programadas até 2027. No Oeste e no Sudoeste, o BNDES aprovou R$9,2 bilhões em financiamentos para intervenções em 662 quilômetros de rodovias federais e estaduais.

A repercussão cresce com a sucessão de reajustes do CAP nas refinarias. Desde março, a Petrobrás promoveu aumentos no preço do insumo, com reajuste médio de 20% em abril e picos de até 22,45% em algumas unidades. Novas altas fizeram o acumulado do ano superar 42% em determinadas regiões.

Guerras impactam no preço do asfalto

O movimento está relacionado à valorização internacional do petróleo e às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Como o CAP é diretamente associado aos derivados de petróleo, a volatilidade da commodity chega à cadeia de pavimentação e altera significativamente os custos de execução.

O diesel também contribui para a escalada de preços. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível registrou alta de 11,6% em um único reajuste em 2026. Na semana de 5 a 11 de maio, o preço médio nas bombas chegou a R$7,58 por litro. O impacto se distribui pela operação, atingindo máquinas e equipamentos, transporte de materiais e logística dos canteiros.

O problema se torna mais sensível quando existe diferença entre o momento em que o custo aumenta e aquele em que o valor correspondente é reconhecido no contrato. “A questão é também de saúde financeira. As empresas precisam manter equipes, máquinas, fornecedores, combustível e logística, mesmo diante de uma elevação extraordinária dos principais insumos. Esse descompasso pressiona o capital de giro e reduz as margens das empresas, que podem precisar utilizar recursos próprios para absorver temporariamente custos que não estavam previstos na composição original dos contratos”, ressalta Gawlik.

A Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei nº 14.133/2021) prevê a possibilidade de alteração dos contratos para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro diante de fatos imprevisíveis ou previsíveis de consequências incalculáveis que onerem de forma extraordinária a execução nas condições originalmente pactuadas. A Infravia-PR defende que cada situação seja analisada individualmente, com base em critérios técnicos.

A elevação do CAP também produz um efeito adicional sobre os custos por causa da incidência tributária. No Paraná, o ICMS sobre o produto é de 19,50%, enquanto PIS e COFINS somam 9,25%. Com o aumento do preço do insumo, os tributos calculados sobre essa base também representam um valor nominal maior.

“É importante que a sociedade compreenda que o aumento do asfalto não é apenas uma questão interna das empresas. O custo do pavimento é afetado pelo petróleo, pela logística, pelo diesel e também pela carga tributária incidente sobre o produto. Quando o preço base aumenta, os impostos calculados sobre ele acompanham essa elevação, ampliando ainda mais a pressão sobre o custo das obras”, finaliza o secretário-geral da Infravia-PR.

Crédito da foto: Magnific

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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