IR mínimo da alta renda vai além dos dividendos e exige planejamento antecipado para 2027

IR mínimo da alta renda vai além dos dividendos e exige planejamento antecipado para 2027
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Nova regra considera conjunto de rendimentos e tributação já recolhida

A nova tributação mínima para pessoas físicas de alta renda exige uma análise que vai muito além dos dividendos. Embora a retenção de 10% sobre pagamentos superiores a R$ 50 mil no mês, feitos pela mesma empresa à mesma pessoa física, tenha concentrado boa parte da atenção desde o início de 2026, o cálculo anual considera o conjunto de rendimentos abrangidos pela legislação e os impostos já pagos pelo contribuinte.

De acordo com a advogada Mérces da Silva Nunes, sócia do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito Tributário, um dos principais equívocos é avaliar a nova regra exclusivamente pela ótica da distribuição de lucros. “O novo IR Mínimo criou um mecanismo de aferição da tributação efetiva da alta renda. Por isso, dois contribuintes com renda anual exatamente igual podem ter resultados tributários completamente diferentes, dependendo da origem dos rendimentos e dos impostos que já tenham sido pagos”, explica.

O impacto tende a ser mais relevante para contribuintes com renda elevada e baixa tributação efetiva, como empresários e sócios que concentram a remuneração em lucros e dividendos, profissionais liberais que atuam por meio de pessoa jurídica, sócios de holdings familiares e pessoas que acumulam salário ou pró-labore com aluguéis, investimentos e outras fontes de renda. A regra, porém, não significa que quem ultrapassar R$ 600 mil anuais pagará automaticamente 10% adicionais sobre toda a renda. Entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, a alíquota mínima cresce progressivamente de zero a 10% e o imposto já recolhido deve ser considerado na apuração.

Renda X Patrimônio

Outro ponto de atenção é diferenciar renda de patrimônio. Ter imóveis, participações societárias ou aplicações financeiras não significa, por si só, incidência do imposto mínimo. O que entra na análise são os rendimentos produzidos por esses ativos, observadas as exclusões previstas na Lei nº 15.270/2025. Entre elas estão, em determinadas condições, ganhos de capital, heranças e doações, rendimentos de poupança e de títulos incentivados ou isentos, além de lucros e dividendos relativos a resultados apurados até 2025 cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro daquele ano.

Para a especialista, a declaração de Imposto de Renda entregue em 2026, referente ao ano-calendário de 2025, pode funcionar como uma fotografia inicial para o planejamento da declaração de 2027. “A partir dela, é possível mapear salários, pró-labore, participações societárias, dividendos, aluguéis, investimentos e rendimentos no exterior e projetar como essas fontes devem se comportar ao longo de 2026. Não se trata simplesmente de procurar formas de reduzir imposto, mas de organizar previamente a forma de remuneração, distribuição de resultados, investimentos e fluxo patrimonial”, afirma.

A recomendação é que o contribuinte consolide, ainda durante 2026, o valor anual de cada tipo de rendimento, o imposto já recolhido e o tratamento previsto para aquela receita no cálculo do IR mínimo. “A antecipação pode permitir identificar quem está se aproximando do limite de R$ 600 mil e, principalmente, quem apresenta uma diferença relevante entre a renda total e a tributação efetivamente suportada, evitando que o impacto da nova regra seja conhecido somente no momento da declaração de 2027”, conclui Mérces.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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