Consignado CLT pode fazer o salário encolher antes de cair na conta

Consignado CLT pode fazer o salário encolher antes de cair na conta

Crédito do Trabalhador pode reduzir o custo de débitos caros, mas exige recalcular as despesas mensais antes de assumir descontos em folha

Em junho de 2026, o saldo do crédito consignado destinado aos empregados do setor privado chegou a R$113,3 bilhões, avanço de 143% em 12 meses, segundo dados do Banco Central citados em levantamento da TransUnion e da Deloitte. Mais de 40% das operações estão concentradas entre pessoas que recebem até dois salários mínimos, o que amplia uma questão prática: quanto efetivamente continuará disponível para pagar as contas depois do desconto automático?

Para José Leonardo de Campos, cofundador da Plano Fintech, empresa de educação financeira voltada à organização das finanças de pessoas e famílias, e Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da companhia, o ponto central está no que acontece depois da contratação. “O consignado CLT pode ser uma boa ferramenta quando substitui uma dívida mais cara. O problema começa quando a pessoa mantém o mesmo padrão de gastos e tenta sustentar a rotina com um salário líquido menor”, afirma José Leonardo.

Os números reforçam o alerta. O Banco Central informou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 28,9% em junho, alta de 1,7 ponto percentual em 12 meses. Já levantamento da Serasa Experian, feito com 191.798 contratos de consignado privado, apontou que 74% dos trabalhadores tinham dois ou mais empréstimos ativos.

A modalidade pode ser usada para substituir linhas mais caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal. Para a troca fazer sentido, porém, é preciso comparar taxa de juros, prazo e custo total, além de encerrar a obrigação anterior. “Se a pessoa quitar o cartão ou o cheque especial e voltar a utilizar aquele limite, cria uma nova obrigação sem resolver a origem do problema”, explica José Leonardo.

O limite de 35% não significa orçamento saudável

Pelas regras do programa, a margem consignável pode chegar a 35% da remuneração disponível, considerando os descontos previstos no cálculo. Para Hiraki, o teto autorizado não deve ser confundido com capacidade de pagamento. “O limite mostra quanto pode ser contratado, não quanto deveria ser comprometido. É preciso saber o que sobrará para moradia, alimentação, transporte, contas recorrentes e imprevistos”, ressalta Ricardo Hiraki.

Antes de contratar faça quatro contas

Os especialistas recomendam quatro verificações simples:

  • Calcule quanto ficará disponível depois do desconto mensal.
  • Compare juros, prazo e valor total do novo contrato com os do débito atual.
  • Defina previamente onde o recurso será usado e evite reabrir limites já quitados.
  • Simule os meses seguintes com despesas fixas, gastos variáveis e uma margem para imprevistos.

O teste ajuda a identificar se a operação realmente reorganiza as finanças ou apenas adia o aperto. “Quando o dinheiro entra sem destino definido, o benefício pode durar poucos dias, enquanto o desconto permanece por muito mais tempo”, aponta Hiraki.

Para os especialistas da Plano, os juros menores são apenas parte da solução. O consignado CLT pode contribuir para reduzir o custo da dívida e melhorar a organização financeira, mas perde eficácia quando, mesmo após a contratação, o trabalhador continua recorrendo ao cartão, ao cheque especial ou a novos empréstimos para fechar o mês. Nesse cenário, a origem do problema financeiro permanece.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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