Novos negócios crescem 14% no Brasil, mas presença digital ainda desafia empreendedores

Novos negócios crescem 14% no Brasil, mas presença digital ainda desafia empreendedores

Levantamentos de Sebrae e HostGator mostram cenário de oportunidades e desafios para quem empreende no país

Apesar de empreenderem mais, garantir a longevidade dos negócios ainda é um desafio para os brasileiros. Se por um lado o ambiente digital trouxe facilidades para a criação de empreendimentos, por outro, exige estratégias específicas para disputar a atenção do consumidor em meio à maior concorrência, o que pode ser uma dificuldade para parte dos empreendedores, como revelam dados do Sebrae e da HostGator.

O Brasil registrou a abertura de 3,6 milhões de empreendimentos entre janeiro e julho deste ano, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025, conforme estudo do Sebrae com base em informações da Receita Federal. Desse total, quase 97% são pequenos negócios, e a instituição reconhece que garantir um cenário propício ao desenvolvimento desses novos empreendimentos é desafiador.

“Nosso desafio é trabalhar para que o ambiente de negócios se torne cada vez mais favorável e assegurar a esses empreendedores as condições necessárias para que eles continuem crescendo e investindo em inovação, capacitação e aumento da produtividade”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.

Um dos fatores que tem contribuído para o maior interesse dos brasileiros em empreender é a desburocratização de processos a partir da digitalização de serviços. A internet facilitou a abertura de negócios, mas também aumentou a competitividade e passou a exigir a estruturação e o gerenciamento da presença digital.

Parte dos empreendedores já entendeu essa necessidade. De acordo com levantamento da HostGator, mais de 600 mil sites foram configurados pela plataforma entre janeiro e agosto deste ano. Entre os sites ativos, 62% têm domínio próprio e 60,7% utilizam ferramentas de Inteligência Artificial (IA).

“Os dados mostram que criar essa base própria está cada vez mais rápido e acessível, mesmo para quem não tem conhecimento técnico”, analisa o especialista de SEO da HostGator, Fernando Carvalho. Ele destaca que a busca por presença digital própria entre os pequenos negócios vem aumentando nos últimos anos.

Dependência exclusiva das redes sociais é obstáculo

A Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada com apoio do Sebrae em 2024, identificou que o empreendedor brasileiro é o que mais valoriza o uso das redes sociais: as plataformas são consideradas “muito importante para o negócio” por 89% deles. O estudo foi relizado em 51 países.

As redes sociais oferecem uma alternativa para apresentação de produtos e serviços, relacionamento com clientes e visibilidade. No entanto, ter o perfil como único endereço da empresa limita a presença digital e tende a ser um obstáculo para alcançar potenciais consumidores.

“Estar nas redes sociais significa ter um perfil onde você publica e interage, mas dentro das regras, do algoritmo e do ritmo de quem é dono da plataforma. Presença digital estruturada é ter uma base própria — site, domínio, e-mail profissional, às vezes uma loja virtual — que funciona de forma independente e que o empreendedor controla de ponta a ponta”, compara Fernando.

“A rede social é ótima para descoberta e proximidade com o cliente. O site é o que garante que esse relacionamento continue existindo mesmo se a rede mudar as regras do jogo”, completa.

Em publicação sobre o assunto, o Sebrae defende que ter uma presença on-line consistente é uma forma de aumentar a competitividade e os lucros. “Muitos empreendedores usam apenas as redes sociais porque estão familiarizados com o funcionamento e acreditam que ter um site pode ser algo complexo. No entanto, o conteúdo publicado nas redes é consumido rapidamente, o que exige um volume de postagens recorrente para manter a relevância da marca.”

Por isso, o Sebrae defende uma estratégia multicanais, com redes sociais, site e blog. “Essa é uma das melhores maneiras de trabalhar o marketing digital e também a distribuição de conteúdo. Desta forma, é possível ter mais visibilidade, assegurar um bom relacionamento e aumentar o alcance da marca.”

Quando criar um site?

Após a abertura do negócio e a criação do perfil nas redes sociais, o empreendedor deve ficar atento aos sinais que mostram a necessidade de ampliar a presença digital. Fernando explica quando é aconselhável criar um site próprio.

“O momento ideal costuma aparecer quando o negócio já tem alguma tração nas redes sociais — pedidos recorrentes, seguidores fiéis, um catálogo mais consolidado — e passa a sentir que depende de um único canal para vender, se comunicar e ser encontrado”, orienta. “É aí que faz sentido ter um site próprio, porque ele funciona como uma base que o empreendedor controla de fato, sem ficar sujeito a mudanças de algoritmo, suspensão de conta ou instabilidade da rede social”, acrescenta.

Há situações do cotidiano que permitem compreender que esse momento chegou, segundo o especialista. “Alguns sinais são bem claros: o negócio já recebe buscas pelo próprio nome no Google; tem clientes perguntando ‘vocês têm site?’; sente prejuízo quando a rede social sai do ar ou muda o algoritmo; já cresceu a ponto de precisar de um catálogo, checkout ou agenda mais robusta do que a rede social oferece”, exemplifica.

“Outro sinal importante é a necessidade de credibilidade em vendas maiores ou parcerias. Ter um endereço digital sério, com domínio próprio e meios de pagamento integrados, pesa na hora de fechar negócio com clientes e fornecedores mais exigentes. Quando isso acontece, o site deixou de ser ‘bom ter’ e passou a ser parte da estrutura do negócio”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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