Em tempos de cautela, entender o consumidor vale mais do que oferecer

Em tempos de cautela, entender o consumidor vale mais do que  oferecer

Especialista aponta cinco mudanças na relação entre empresas e clientes

O consumidor brasileiro está mais cauteloso na hora de tomar decisões de compra. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV IBRE, recuou pelo quarto mês consecutivo em agosto e chegou a 84,7 pontos, menor nível desde novembro de 2022. O levantamento também registrou queda nas intenções de compra de bens duráveis, em um cenário de maior preocupação das famílias com sua situação financeira.

No mês em que é celebrado o Dia do Cliente, a relação entre empresas e consumidores também passa por uma transformação. Em um cenário de maior cautela, entender o cliente ganha importância e vai além de oferecer produtos, serviços ou descontos. Para Thiago Savian, diretor comercial da Unifisa, compreender o momento do consumidor é fundamental para construir uma relação que vá além da venda.

Em um cenário de maior cautela, empresas precisam estar preparadas para orientar, esclarecer dúvidas e oferecer informações que ajudem o cliente a tomar decisões mais conscientes.

1. Entender o momento do cliente

Nem todo consumidor que procura uma empresa está necessariamente pronto para comprar. Em algumas situações, ele ainda está pesquisando, organizando o orçamento ou tentando entender qual solução atende melhor às suas necessidades. “O primeiro passo é entender o momento do cliente. Antes de apresentar uma solução, é importante saber o que ele busca, quais são suas prioridades e o que faz sentido para a realidade dele. Isso muda completamente a qualidade da relação”, explica.

2. Trocar pressão por orientação

Em decisões que envolvem valores mais altos ou compromissos de longo prazo, a abordagem comercial também precisa acompanhar o comportamento do consumidor. A empresa pode assumir um papel de orientação. “O cliente não quer simplesmente receber uma oferta. Ele quer entender se aquela decisão
faz sentido. Quando a empresa consegue explicar as possibilidades com clareza, ela deixa de ser apenas alguém que vende e passa a ser uma referência para aquele consumidor”.

3. Transparência precisa estar em toda a jornada

A confiança começa antes da contratação. Informações claras sobre condições, prazos, custos, regras e possibilidades ajudam o consumidor a avaliar melhor uma decisão e diminuem a distância entre expectativa e experiência. “Transparência não pode aparecer apenas no momento de fechar o negócio. Ela precisa
estar presente em toda a jornada, desde o primeiro contato. Quanto mais clara é a comunicação, maior é a segurança do cliente para tomar uma decisão”.

4. Conhecer o cliente não significa oferecer mais

Com acesso a mais informações e canais de comunicação, as empresas também passaram a ter mais possibilidades de conhecer seus consumidores. Mas a personalização não deve significar simplesmente aumentar a quantidade de ofertas. “Conhecer o cliente significa entender o que é relevante para ele. Não adianta ter muitos dados se a empresa não consegue transformá-los em uma experiência melhor. Personalização é oferecer algo que tenha contexto e faça sentido para aquele momento”.

5. O relacionamento continua depois da decisão

O pós-venda também faz parte da percepção que o consumidor constrói sobre uma empresa. A capacidade de acompanhar a jornada, esclarecer dúvidas e resolver eventuais problemas pode determinar se uma experiência pontual se transforma em relacionamento. “A venda é apenas uma etapa. É depois dela que a empresa mostra, na prática, se tudo aquilo que foi apresentado realmente se sustenta. Um bom relacionamento é construído quando o cliente percebe que continua sendo importante mesmo depois de tomar sua decisão”.

O Mês do Cliente, portanto, pode ir além de uma data para celebrar consumidores ou criar ações comerciais. Em um momento de maior cautela, também representa uma oportunidade para as empresas repensarem a maneira como escutam, orientam e se relacionam com quem está do outro lado. Quando o consumidor passa a avaliar mais antes de decidir, entender suas necessidades pode ser tão importante quanto ter uma boa oferta.

Crédito da imagem: Pixabay

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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