Erros na nota fiscal podem comprometer créditos da CBS e pressionar o caixa em 2027

Erros na nota fiscal podem comprometer créditos da CBS e pressionar o caixa em 2027

Novas ferramentas da Receita permitirão conferir débitos e créditos

Uma compra registrada na contabilidade pode apresentar inconsistências na documentação necessária para aproveitar créditos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Segundo Marcelo Costa Censoni Filho, sócio do Censoni Advogados Associados e CEO da Censoni Tecnologia Fiscal e Tributária, diferenças entre notas fiscais, registros internos e informações da Receita precisam ser identificadas para evitar riscos na apuração.

O tema ganha relevância com o anúncio de novas ferramentas gratuitas de integração da Receita. As consultas de débitos e créditos estão previstas para o início de outubro de 2026, nos ambientes de Produção Restrita, destinado ao piloto da CBS, e Produção Beta. Os serviços permitirão consultar as alterações ocorridas desde o último acesso.

Censoni distingue duas situações: inconsistências nos campos preenchidos podem provocar rejeição da nota na emissão; a ausência de informações pode comprometer o aproveitamento do crédito pelo comprador. “Quando os campos da CBS são preenchidos, erros de alíquota ou de arredondamento podem levar a Sefaz a rejeitar a nota no momento da emissão, travando o faturamento do fornecedor.”

O advogado ressalta que, em 2026, a ausência dos campos de CBS e IBS não provoca, por si só, rejeição técnica do documento. Isso, porém, não elimina as obrigações de preenchimento aplicáveis à operação.

Uma falha e R$ 10 mil em crédito comprometido

Em uma simulação para 2027, uma empresa adquire R$ 100 mil em mercadorias, valor que não inclui a CBS, e recebe uma nota sem o preenchimento do campo do tributo. Considerando exclusivamente para o exemplo uma alíquota hipotética de 10%, o crédito esperado seria de R$ 10 mil.

Sem conseguir aproveitar esse crédito, a empresa deixa de abater o valor da CBS a recolher, pressionando seu caixa. O percentual utilizado é apenas ilustrativo e não representa uma estimativa da alíquota oficial.

Segundo Censoni, a LC 214/2025 exige documento fiscal eletrônico idôneo para comprovar a operação. O artigo 48 também condiciona o crédito ao destaque dos valores corretos nas situações em que se aplica a dispensa de comprovação da extinção do débito.

A orientação é procurar o fornecedor para regularizar a documentação pelo procedimento adequado, como cancelamento e reemissão dentro do prazo ou emissão de nota complementar ou de débito, conforme o caso. A comunicação e a correção devem ser registradas formalmente.

Preparação em 2026, impacto em 2027

O impacto financeiro da simulação considera a cobrança integral da CBS a partir de 2027. Em 2026, ano de teste, há dispensa de recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias e previsão de regularização de irregularidades nas condições legais.

“Do meu ponto de vista, a conferência eficaz exige uma rotina de três camadas”, explica Censoni. Ao jurídico cabe avaliar o direito ao crédito e o tratamento das inconsistências. A contabilidade deve conciliar documentos, compras e pagamentos. A tecnologia permite comparar os registros internos com os dados disponibilizados pelo Fisco.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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