Contratar é um desafio para pequenos negócios nos EUA

Contratar é um desafio para pequenos negócios nos EUA

Em setembro, 45% dos empresários relataram poucos candidatos qualificados ou nenhum para as vagas que tentavam preencher

Pequenos negócios empregam 62,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos, o equivalente a 45,9% dos trabalhadores do setor privado, segundo a Small Business Administration (SBA), agência federal dos Estados Unidos que apoia pequenas empresas.

Em setembro de 2026, 45% dos empresários ouvidos pela National Federation of Independent Business (NFIB), associação norte-americana que representa pequenos negócios independentes, disseram ter poucos candidatos qualificados ou nenhum para as vagas que tentavam preencher. Entre os empresários que estavam contratando ou tentando contratar, a proporção chegou a 87%. A pesquisa também apontou que 32% tinham vagas que não conseguiam preencher.

“Quando a empresa cresce, não dá para depender de uma única pessoa para resolver tudo. É preciso preparar a equipe e criar processos que mantenham a qualidade do serviço”, diz Amanda Antunes Domiciano, CEO da Lume Education e empresária à frente da Amanda’s Maid, companhia de limpeza residencial com faturamento anual superior a US$ 3 milhões.

A expansão exige mais do que vender

 

A dificuldade de contratar faz parte de um conjunto maior de desafios para pequenas empresas. O relatório de 2026 do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, reuniu respostas de 6.525 empresas empregadoras com 1 a 499 funcionários. Entre elas, 57% apontaram a conquista de clientes e o aumento das vendas como desafios operacionais. Contratar ou reter profissionais qualificados foi citado por 46%.

Em empresas de serviços, a expansão pode significar mais clientes, horários para organizar, equipes para coordenar e padrões de qualidade para manter. Quando essas tarefas ficam concentradas nos proprietários, o aumento das vendas pode ampliar a sobrecarga em vez de criar uma operação mais sólida.

“Vender mais é importante, mas a empresa também precisa estar pronta para atender bem. Se a operação depende da liderança para acompanhar cada etapa, chega uma hora em que o crescimento fica limitado”, afirma Amanda.

Processos ajudam a manter o padrão

 

Estruturar a operação começa por deixar claro o que cada pessoa deve fazer e como o trabalho será avaliado. Definir responsabilidades, registrar rotinas e criar critérios de qualidade facilita o treinamento e ajuda a identificar problemas antes que afetem o cliente.

“Processo não é burocracia. É uma forma de deixar claro o que precisa ser feito e qual padrão a empresa quer entregar”, diz Amanda.

Para pequenas empresas que querem crescer, ela destaca alguns pontos de gestão:

  • Definir funções e responsabilidades: cada profissional precisa saber quais tarefas estão sob sua responsabilidade.
  • Organizar o treinamento inicial: apresentar rotinas e padrões desde a entrada na empresa.
  • Documentar tarefas recorrentes: registrar etapas importantes facilita a formação de novos profissionais.
  • Acompanhar a qualidade: avaliar o serviço e ouvir os clientes ajuda a identificar falhas e aprimorar a operação.
  • Delegar com orientação: distribuir responsabilidades junto com critérios claros e acompanhamento.

“Delegar não é simplesmente passar uma tarefa para outra pessoa. É explicar o resultado esperado, dar condições para que ela faça o trabalho e acompanhar o que precisa melhorar”, afirma.

Empreendedorismo imigrante nos Estados Unidos

 

Um estudo publicado em 2023 pelo Escritório de Defesa dos Interesses das Pequenas Empresas (Office of Advocacy), área da Small Business Administration que pesquisa o setor e representa seus interesses perante o governo, analisou dados do Census Bureau, órgão federal de estatísticas dos EUA. A análise indicou que imigrantes representavam 15,08% dos proprietários de empresas com funcionários em 2012 e 19,03% em 2020.

Dados de 2023 do Annual Business Survey (Pesquisa Anual de Empresas), levantamento do Census Bureau divulgado em 2025, apontaram que 19,5% dos proprietários de empresas com funcionários nasceram fora dos EUA.

“Empreender em outro país exige aprender como o mercado funciona e conquistar a confiança dos clientes. Para manter essa confiança à medida que a empresa cresce, é preciso contratar e treinar profissionais capazes de entregar o padrão prometido. A gestão também exige acompanhar os custos e precificar cada serviço para que a expansão se sustente”, diz Amanda Antunes Domiciano.

Equipe preparada, processos claros e gestão financeira dão base para ampliar a operação sem deixar a qualidade depender do improviso.

Crédito da imagem: IA

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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