MP dos Portos não é solução definitiva para os gargalos de logística

portos - gargalosA aprovação da Medida Provisória dos Portos indica um caminho positivo no sentido de aumentar os investimentos nos portos brasileiros. Entretanto, não será a solução definitiva para os gargalos de logística que tanto prejudicam as nossas empresas. Uma pesquisa recente realizada com 200 líderes da área de logística mostra que se os problemas existentes na infraestrutura de ferrovias, rodovias, aeroportos e portos fossem sanados a economia destas empresas poderia chegar a R$ 2 milhões de reais por ano. O caso específico dos portos, a pesquisa apontou que os maiores problemas são a  burocracia na fiscalização e a infraestrutura precária.

Eu conversei com o presidente das Belsul, indústria química que tem sede em Porto Alegre e com Centro de Distribuição no município de Quatro Barras, o empresário Sérgio Sanches Corrêa, e ele citou como exemplo os Estados Unidos, onde os custos totais de logística representam de 8% a 9% do PIB. No Brasil, os porcentuais ficam entre 16% e 18%, ou seja o dobro dos americanos. Isso significa que do nosso PIB de R$ 4 trilhões, R$ 400 bilhões são perdidos pela nossa ineficiência no setor de logística.

Na opinião do empresário, o Brasil precisa definir urgentemente todos os seus modais e mudar seus paradigmas para os próximos 20 anos, atraindo novos investimentos, que sejam capazes de manter nosso País competitivo.  No caso do Porto de Paranaguá, o diretor presidente da Belsul reconhece que é um porto que tem limitações, com custos elevados de estocagem e expedição de cargas lenta, embora possua vantagens geográficas.

De acordo com o texto aprovado da Medida Provisória dos Portos, as primeiras licitações com base na nova Lei dos Portos devem ser realizadas entre agosto e setembro próximos. Serão 159 áreas nos portos públicos. O texto prevê também que os contratos de concessão assinados antes de 1993 poderão ser renovados por até dez anos. Já os que foram assinados depois de 1993 só serão renovados antecipadamente mediante o compromisso de novos investimentos. Os contratos futuros terão prazo de até 25 anos, podendo ser prorrogados por igual período. Nos terminais privados, a contratação de trabalhadores poderá ser feita pela CLT, sem a intermediação do órgão gestor de mão de obra, ligado aos portuários.

Ainda segundo a MP aprovada, os terminais privados poderão movimentar livremente cargas de terceiros, o que abre a possibilidade de concorrência. A autorização de novos terminais privados será feita por chamada pública, e não licitação. As novas concessões dos portos públicos serão feitas pela menor tarifa, e não mais pelo maior preço pago pela outorga.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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