Importação de serviços é taxada em até 51%

importação de serviçosToda vez que se importa um serviço, como a contratação de um consultor estrangeiro ou um trabalho de assistência técnica em outro país, por exemplo, a indústria brasileira precisa desembolsar entre 41,08% e 51,26% do valor contratado para o pagamento de tributos. É esse o valor total dos seis tributos que recaem sobre a importação de serviços pelo Brasil, segundo o estudo Tributação sobre Importação de Serviços: Impactos, Casos e Recomendações de Políticas, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo, que foi entregue ao ministro da Fazenda, Guido Mantega,  pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, também apresenta propostas para corrigir seis distorções encontradas na forma de cálculo dos tributos. O trabalho mostra que atualmente os serviços representam 23,1% de tudo o que a industria brasileira consome no processo produtivo e a elevada tributação tira a competitividade do produto brasileiro.

Entre as propostas apresentadas pela CNI ao governo federal, está a isenção de operações de conversão monetária realizadas para o pagamento dos serviços importados – hoje as empresas pagam o IOF-câmbio em cima dessas transações. Outra sugestão é o fim do pagamento de tributos sobre tributos. O fim da incidência cumulativa na arrecadação tributária de maneira geral é uma das metas da CNI previstas no Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, plano da indústria para a próxima década que aponta os dez fatores-chave para aumentar a produtividade e a competitividade do país.

Na avaliação da CNI, a elevado  tributação em operações de importação de serviços, além de aumentar o custo para as indústrias, eleva o preço de exportação de muitos bens e serviços, prejudica o acesso das empresa brasileiras à tecnologia, e compromete os investimentos. “Em um mundo de cadeias de valor integradas em que a inovação se desenvolve em sistemas abertos, a tributação excessiva sobre os serviços é um obstáculo para o desenvolvimento de uma indústria competitiva, inovadora e internacionalizada”, afirma o diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Fernandes.

Por isso, a CNI sugere que a base de cálculo para aplicação dos impostos CIDE-Remessas ao exterior, PIS-Importação e Cofins-Importação seja o valor efetivamente remetido ao exterior para pagar pelos serviços importados.  A CNI constatou que atualmente alguns tributos também entram na base de cálculo, o que, segundo a entidade, são as  primeiras distorção da regra atual.

Outra proposta da CNI é de que as remessas ao exterior referentes ao pagamento de serviços sem transferência de tecnologia sejam tratadas como ‘lucro das empresas’, para evitar a dupla tributação. A quarta distorção poderia ser evitada caso a cobrança da CIDE-Remessas ao exterior seja feita apenas sobre a remessa de valores ao exterior a título de pagamento pela importação de serviços técnicos que impliquem transferência de tecnologia, como previsto inicialmente, quando o tributo foi criado. Hoje ela tem sido cobrada também sobre remessas que não implicam transferência de tecnologia.

A CNI recomenda ainda a desvinculação da dedutibilidade das despesas com importação de serviços que implicam transferência de tecnologia com a necessidade de registro do contrato do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). A sexta e última proposta é de que as empresas não precisem mais pagar o IOF-câmbio sobre operações de conversão monetária realizadas para pagamento de serviços importados.

O estudo da CNI mostra que o preço de um avião fabricado no Brasil fica 2,4% mais alto em função dos tributos cobrados sobre a importação de serviços.  Para os fabricantes de aviões, a cobrança excessiva de impostos preocupa por serem muito dependentes de serviços contratados no exterior, seja em função da localização física do comprador, ou pela falta de fornecedores no Brasil. Quando vende um avião, a indústria se compromete a fornecer treinamentos técnicos dos pilotos e da tripulação,  manutenção durante todo o período de vigência da garantia.

Os seis impostos que recaem sobre a importação de serviços são o Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF); a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-Remessas ao Exterior); Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Imposto sobre Operação Financeira (IOF-Câmbio) e Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).

Até 2022, o Brasil deve zerar a cumulatividade dos tributos, segundo prevê a CNI no documento elaborado em conjunto com 500 representantes empresariais e que apresenta metas para o país para a próxima década. Segundo o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, o peso dos tributos sobre a produção e comercialização de bens e serviços é proporcionalmente maior do que em outros países, penalizando as atividades produtivas.

O Mapa informa que os tributos incidentes sobre bens e serviços no Brasil representam 43,6% da carga tributária total. Os tributos sobre a renda equivalem a 21,2% e sobre a propriedade, 5,7%. Nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),  os tributos sobre bens e serviços são de 33,1%, os sobre a renda equivalem a 33,2% e sobre a propriedade, 5,4%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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