Vendas da indústria paranaense têm queda inesperada em abril
Contrariando uma tendência histórica de elevação da atividade industrial a partir do quarto mês de cada ano, abril de 2014 foi um mês de queda nas vendas da indústria paranaense. A redução atípica de -0,28% em relação a março fez com o setor industrial do Estado fechasse o primeiro quadrimestre do ano com desempenho -4,04% inferior ao registrado no mesmo período de 2013. As informações fazem parte do boletim de indicadores conjunturais da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), divulgado nesta terça-feira (3). Os resultados negativos têm afetado as expectativas dos industriais em relação ao futuro. Em outra pesquisa realizada pela Fiep, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação do Paraná se situou em patamares de pessimismo pelo quinto mês consecutivo.
A queda de -0,28% nas vendas industriais observada em abril foi resultado da performance negativa de nove dos dezoito gêneros pesquisados pela Fiep. Entre eles, o setor de ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’, um dos três com maior participação relativa na indústria paranaense, que teve retração de -4,88%. As maiores quedas no mês foram nos segmentos de ‘Borracha e Plásticos’ (-23,59%), pela diminuição das exportações; ‘Metalúrgica Básica’ (-14,97%), pelo fim de pedidos; e ‘Máquinas e Equipamentos’ (-12,50%), por redução de demanda. No acumulado de janeiro a abril de 2014, apenas oito dos dezoito gêneros estão positivos em comparação com 2013. Os três setores com maiores reduções foram ‘Material Eletrônico e de Comunicações’ (-64,63%), ‘Produtos de Metal’ (-14,20%) e ‘Veículos Automotores’ (-12,81%).
O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, afirma que o resultado das vendas industriais de abril evidenciou a instabilidade dos indicadores conjunturais medidos pela Fiep nos primeiros meses de 2014. “A pequena queda registrada em abril parece ser insignificante, porém, por tradicionalmente ser um mês de forte expansão, o resultado negativo se amplifica para o acumulado dos primeiros quatros meses deste ano”, declara, acrescentando que em 2013, por exemplo, o mês de abril registrou expansão de 10,21%.
Schmitt destaca ainda outros dois indicadores que vinham apresentando crescimento até março, mas cuja tendência se inverteu em abril. As compras de insumos pela indústria caíram -4,99% no mês e o nível de emprego, -0,08%. Além disso, a utilização da capacidade instalada das empresas se manteve constante em 78% e as horas trabalhadas subiram apenas levemente (+0,44%). “Tradicionalmente, estas variáveis se encontram em franca expansão nesta época do ano. Mas esses indicadores sugerem que nos próximos meses haverá uma manutenção do nível observado em abril”, diz.
O economista aponta, no entanto, um fator que pode resultar em certa recuperação do setor industrial paranaense ainda este ano: a projeção de uma boa safra agrícola. “Isso deve impactar o principal gênero industrial do Estado, que é ‘Alimentos e Bebidas’. A partir dessa recuperação, manifestam-se também efeitos positivos pela disseminação de renda para outros gêneros industriais no Paraná”, explica.
Mesmo assim, Schmitt não vislumbra um crescimento acentuado da indústria paranaense em um futuro próximo. “Todos esses resultados oferecem sinais de comprometimento do desempenho industrial para este ano de 2014 e são causa de trava dos investimentos em expansão de capacidade produtiva. Daí a serem diminutas as chances de, no curto e médio prazos, haver retomada do ritmo de negócios na indústria”, declara. Ele acrescenta, ainda, que fatores como a ausência de políticas industriais, a burocracia, o descontrole dos gastos públicos, inflação, alta de juros e déficits em conta corrente, entre outros, comprometem o ambiente de negócios no Brasil.
Os resultados das vendas e o panorama econômico nebuloso do país vêm se refletindo também no grau de otimismo do empresariado paranaense. Em outra pesquisa realizada pelo Departamento Econômico da Fiep, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação do Paraná (ICET-PR) registrou que da -8,6 pontos em maio, atingindo 40,7 pontos – o menor valor de toda a série histórica do levantamento, iniciada em janeiro de 2012.
Esse foi o quinto mês consecutivo em que as expectativas dos empresários da indústria do Estado se situaram na área de pessimismo. O ICET-PR varia no intervalo de 0 a 100, com valores acima de 50 pontos indicando empresários confiantes, melhores condições ou expectativas positivas. Em maio, a queda foi causada pela piora da percepção dos empresários em relação aos dois sub índices que compõem o ICET-PR. O Índice de Condições Atuais caiu de 41,9 pontos em abril para 37,3 em maio. Já o Índice de Expectativas despencou de 53 pontos em abril para 41,9 em maio.








