Para Abimaq, Dilma terá que olhar com mais carinho para a indústria

José Velloso: “Tudo que está sendo investido nessa área no Brasil é importado”.
José Velloso: “Tudo que está sendo investido nessa área no Brasil é importado”.

Três anos sem crescer fizeram com que a indústria de máquinas e equipamentos batessem “no fundo do poço”. A afirmação foi feita José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante a entrevista coletiva que divulgou os números do setor, referentes ao mês de setembro/14. No acumulado do ano, até este mês, o faturamento do setor fechou com queda de 16%, comparando com o mesmo período de 2013. Por sinal, naquele ano, também tivemos queda nos lucros do setor de bens de capital, perante 2012. No entanto, quando comparado com o mês de agosto de 2014, houve uma relativa estabilidade dos resultados, com o faturamento do setor fechando com aumento de 6,4%.

A Abimaq destaca que, neste ano, os preços de máquinas e equipamentos passaram a crescer menos do que a variação de custos, reduzindo ainda mais as margens do setor. “O IPP (Índice de Preços ao Produtor) acumulado em 2014 é de -0,3%, contra +4,6% do IPCA”, afirma o presidente executivo, reconhecendo o estado  “anêmico” do mercado de máquinas .

A associação que congrega os fabricantes de máquinas e equipamentos ressalta que o resultado do mês só não foi pior em razão das exportações, que totalizaram US$ 1,087 bilhão em setembro, alta de 7,9% ante setembro de 2013.  O destaque negativo ficou para o setor de infraestrutura e indústria de base, cujo peso é de 22,7% na exportação da indústria de bens de capital mecânicos, que reduziu suas exportações em 3,6% no mês, embora tenha crescido 36,9% no acumulado do ano.

O maior recuo nas exportações em porcentual absoluto, contudo, ocorreu no segmento de máquinas para petróleo e energia renovável (cuja participação é de 10,2%). Para José Velloso, esses números comprovam que a prioridade de conteúdo local nos equipamentos do setor é mera fantasia. “Tudo que está sendo investido nessa área no Brasil é importado”, garante.

Já as importações, somaram US$ 2,389 bilhões em setembro, o que significa alta de 6,1% em relação a agosto e queda de 6,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de 10,2% no acumulado de 2014.

De janeiro a setembro, quase todos os grupos setoriais tiveram queda, com exceção do de máquinas petróleo e energia renovável, que apresentou crescimento de 15,2%. A Abimaq registrou queda de 0,7% no quadro de pessoal no mês de setembro/14 quando comparado com agosto/14. No ano, o setor já desempregou perto de 10 mil trabalhadores.

De acordo com Velloso, no novo mandato, a presidenta Dilma Roussef terá que ter priorizar definitivamente o crescimento do pais.  “Nesta questão, obrigatoriamente, terá que voltar os olhos com mais carinho para o setor industrial”, avalia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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