Qualidade dos comerciais influencia na decisão do consumidor e gera mais retorno aos anunciantes

Marcos Franco, diretor de Marketing da RPC.
Marcos Franco, diretor de Marketing da RPC.

Entre as questões que pairam sobre o mercado publicitário estão as relacionadas às produções de comerciais. Será que anúncios produzidos com qualidade dão mais resultado? Produções bem-feitas dão mais retorno para o anunciante? E afinal, o que é qualidade? As respostas dessas perguntas compõem o resultado de uma pesquisa inédita sobre campanhas publicitárias realizada pela RPC, empresa do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) e afiliada à Globo no Paraná.

A emissora queria descobrir quais elementos de um filme publicitário que fazem com que ele desperte desejo, crie uma imagem confiável da empresa, gere relacionamento do consumidor com a marca e, é claro, concretize uma venda. “Pela primeira vez conseguimos demonstrar de forma estatística como campanhas publicitárias podem ser mais eficazes e trazer melhores resultados”, conta o diretor de marketing da RPC, Marcos Franco.

Para definir quais seriam os indicadores de qualidade de um filme publicitário, um comitê formado por 12 profissionais do mercado (agências, produtoras e anunciantes) debateu e estabeleceu um conjunto de 14 indicadores, que depois foram validados através de uma pesquisa feita com mais de 144 profissionais de todo o Estado. Eles elencaram os sete principais atributos de um vídeo de sucesso: ideia criativa (que obteve a maior indicação como atributo mais importante com 35% das respostas), depois vieram foco no que está sendo vendido ou comunicado, linguagem atualizada e adequada ao público, roteiro, exposição clara dos benefícios, direção cuidadosa e fotografia. “Por si só esses atributos já são um grande trunfo da pesquisa, pois ter um olhar para esses indicadores nos dá a oportunidade de melhorar uma campanha”, conta Franco.

Definidos os indicadores, 44 profissionais assistiram a uma série de vídeos do setor de calçados e de materiais de construção, avaliando-os com notas de acordo com os atributos para dividi-los em bem e mal avaliados. O próximo desafio seria verificar se os vídeos melhor avaliados de fato trariam impactos mais positivos sobre os telespectadores. Para isso, a Diferencial Pesquisa de Mercado, parceira no projeto, foi à campo para ouvir 600 consumidores que assistiram aos vídeos e responderam perguntas quanto à propensão de compra, atendimento, qualidade da loja, se recomendariam aquele lugar e se comprariam lá.

Após assistir aos comerciais, os consumidores eram apresentados a dois produtos genéricos (luminária branca e sapato social preto). Ao considerar quanto pagariam em cada um, nos dois casos, o valor percebido no comercial melhor avaliado era maior: 10% no caso do material de construção e 35% maior no caso do sapato. “No entanto, quando perguntado se considerava aquele produto caro, a diferença percentual entre um filme e outro não acompanha o atributo de valor. Ou seja, o consumidor acha que o produto de um bom comercial vale mais e está disposto a pagar por isso”, explica Franco.

Em todos os critérios os vídeos bem avaliados se destacaram. No caso de materiais de construção, por exemplo, 61% dos consumidores que viram o vídeo melhor classificado disseram que comprariam a luminária apresentada. Esse percentual foi 14% maior quando comparado com àqueles consumidores que assistiram ao filme menor classificado. Isto mostra que investir em qualidade de produção pode aumentar o fluxo de pessoas dispostas a ir à loja.

No setor de calçados, o filme melhor avaliado ganhou a maior nota entre os profissionais e teve um desempenho ainda melhor entre os consumidores. Foram 31% dos respondentes dizendo que “com certeza” iriam àquela loja comprar o sapato apresentado na pesquisa, o dobro de pessoas em relação ao vídeo de menor qualidade, o que confirmou a tese de que investir em qualidade de produção gera um desejo maior de compra.

Desta forma, investir em produção de filmes publicitários pode ser também uma estratégia para elevar o valor do produto visando aumentar também o retorno. Além disso, o estudo conclui que uma campanha de qualidade, que considere atributos importantes em sua criação, não só eleva a percepção de valor do que é anunciado, como constrói uma imagem de marca mais sólida.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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