Contrabando fomenta violência e traz prejuízos socioeconômicos para cidades de fronteiras

Luciano Barros, presidente do Idesf.
Luciano Barros, presidente do Idesf.

Estudo inédito do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) aponta que as 120 cidades brasileiras, que fazem fronteira com países da América do Sul e são as mais ligadas ao contrabando, possuem também os piores índices de desenvolvimento social e econômico, com números muito abaixo da média nacional e de centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo. A pesquisa foi apresentada durante a 3º edição do Seminário Fronteiras do Brasil, realizado nesta sexta-feira (27), em Foz do Iguaçu.

Para o presidente do Idesf, Luciano Barros, os resultados mostram que o contrabando tem efeitos negativos sobre a economia das cidades. “Mesmo em locais como Foz do Iguaçu, que tem uma economia mais diversificada que as outras cidades, o crime do contrabando causa à população sofrimentos severos”, afirma.
Entre as 120 cidades fronteiriças analisadas, além de Foz, outros cinco municípios se destacam como os principais entrepostos de mercadorias contrabandeadas que entram no Brasil. São eles: Coronel Sapucaia (MS), Guaíra (PR), Mundo Novo (MS), Paranhos (MS) e Ponta Porã (MS).

A média do PIB per capita desses municípios ficou abaixo de R$ 20 mil em 2013 (somente Foz do Iguaçu alcançou média acima de R$ 37 mil), enquanto o PIB per capita médio do brasileiro ficou acima de R$ 26 mil. Entretanto, em comparação com regiões mais desenvolvidas, esses 6 municípios não alcançam nem 50% do PIB per capita de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Quando se trata do volume de recursos arrecadados pelos 6 municípios, observa-se a existência de uma enorme dependência dos governos estaduais e federal, que está sempre acima de 50%. Isso contribui para torná-los muito vulneráveis em momentos de dificuldades financeiras da União ou dos Estados, pois todos eles possuem uma taxa de dependência alta, que chega a mais de 90% no caso de Coronel Sapucaia.

Essa realidade tem tudo a ver com a oferta de empregos existente no município. Com exceção de Foz do Iguaçu, todos os demais municípios possuem uma taxa de emprego, em relação à População Economicamente Ativa (PEA), inferior a 25%, contra a média brasileira de 35%.

Em termos de rendimento escolar, existem diferenças palpáveis entre os municípios em análise, visto que todos eles apresentam taxas de aprovação inferiores à média brasileira de 89,2% para o Ensino Fundamental e 80,3% para o Ensino Médio.

Um dos fatores que chamam a atenção nos dois municípios que possuem os menores índices de empregos em relação à PEA, (Coronel Sapucaia e Paranhos) são os que apresentam também as maiores taxas de abandono no Ensino Fundamental, estrutura mais importante na formação do jovem.  Talvez o segmento mais complexo para análise seja o da segurança pública. Como a questão da segurança não é responsabilidade específica dos municípios, mas sim dos estados e do governo federal, os investimentos públicos municipais nesta área são mínimos. Basta ver que dos 6 municípios analisados, apenas 3 realizaram algum investimento nessa área.

Com isso, os índices de homicídios por 100 mil habitantes chegam a ser cinco vezes superiores aos índices de uma cidade como o Rio de Janeiro, caso novamente de Coronel Sapucaia. Os números de óbitos por armas de fogo também se mostram elevados, como em Guaíra, em que foram registrados 62,13 óbitos deste tipo por 100 mil habitantes, contra 9,14 na cidade de São Paulo.

Os dados levantados pelo Idesf mostram a necessidade urgente de que os governos desenvolvam, em todas as esferas, políticas públicas específicas para a região de fronteira. Luciano Barros lembra que, de maneira geral, os indicadores de todas as 120 cidades fronteiriças são inferiores à média nacional.  “Essas são regiões isoladas e com poucas oportunidades em termos de emprego e geração de renda. E não é difícil observar que os problemas se agravam, e muito, nas cidades que também têm de enfrentar a mazela do contrabando”, ressalta Barros. É preciso uma atuação forte para o combate à ilegalidade, aliada a políticas de desenvolvimento local e investimentos em áreas como educação e saúde. Somente a união de forças entre os diferentes níveis de governo será suficiente para reverter o atual quadro de desamparo desses municípios.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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