Dólar sobe 1,3% em agosto, mas acumula perda de 2,4% no ano
O dólar comercial encerrou o mês de agosto com alta de 1,31% sendo cotado a R$ 3,15 para venda, acumulando nos oito primeiros meses do ano queda de 2,4%. Durante o mês, a maior queda diária, de 1,22%, foi registrada em 23 de agosto após anúncio de privatizações, a R$ 3,142. Segundo Fernando Pavani, CEO e fundador da Remessa Online, enquanto a proposta de reforma da Previdência ainda está sem data e não há certeza quanto à continuidade do presidente Michel Temer no poder até o final do mandato, as variações do dólar refletem o panorama de insegurança com sequências de altas e baixas diárias em agosto. Ao longo do mês, prevaleceu a tendência de alta por conta de tensões no cenário externo.
A maior queda diária do dólar, de 1,22%, foi registrada após o anúncio da privatização de 57 projetos pelo governo, em 23 de agosto. Já a maior alta, de 1,02% ocorreu um dia após atentado em Barcelona, em 17 de agosto. Já as tensões internacionais envolvendo Estados Unidos, Coréia do Sul, Coréia do Norte, China e Japão resultam na aversão ao risco por parte dos investidores, que recorrem ao investimento em dólar por segurança. Por isso, o cenário externo pressiona para valorização do dólar ante o real e outras moedas.
Em 21 de agosto os Estados Unidos e Coréia do Sul haviam iniciado testes militares conjuntos. Já no dia 28, a Coreia do Norte disparou um míssil sobre a região japonesa de Hokkaido. O lançamento deixou moradores em alerta e está sendo considerado o mais sério teste balístico realizado até o momento pelo regime de Pyongyang. Além disso, o ataque terrorista ocorrido em Barcelona, em 17 de agosto, também contribuiu para a alta do dólar.
Cenário interno
Apesar das incertezas no plano político, as privatizações anunciadas pelo governo foram bem vistas pelos investidores, contendo a alta do dólar. Com isso, a maior queda da moeda americana ante o real no mês foi registrada em 23 de agosto, data em que o governo divulgou os 57 projetos que poderão ser privatizados. Na avaliação de Fernando Pavani, outros fatores que podem favorecer o real ante o dólar são as votações pelo Congresso Nacional das novas metas fiscais e da medida provisória que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP). A intenção é de que a TLP substitua a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos empréstimos do BNDES que utilizam recursos do Fundo de Participação PIS-Pasep, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM).
Pela proposta, a TLP será utilizada como referência pelos contratos assinados pelo BNDES a partir de 1º de janeiro de 2018. Enquanto a TJLP é de cerca de 7% ao ano, estima-se que a nova taxa, a TLP, ficaria, no prazo de cinco anos, entre 9% e 9,5%, mais próxima da taxa praticada pelo mercado. Aprovado pelos deputados no dia 30, o texto segue para o Senado, onde tem que ser aprovado até 7 de setembro.
Reforma da Previdência
Em setembro, de acordo com a expectativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deve ser votada finalmente a reforma da presidência, o que tende a atrair a atenção dos investidores para o Brasil, com efeito de desvalorização do dólar. “Na minha agenda, a Câmara precisa estar votando essa matéria em setembro. A gente precisa estar pronto para votar a partir do início de setembro. E eu espero que a gente esteja com a base organizada já no final de agosto para que a gente consiga avançar nessa votação que é decisiva para o Brasil”, declarou Rodrigo Maia no início de agosto.








