Nova revisão do PIB e crise internacional preocupam empresários

A ansiedade por melhora na economia brasileira é grande. Não apenas por parte do cidadão comum, que sonha em se levantar financeiramente, mas também do empresariado. No entanto, o cenário não está tão positivo assim. Com o reconhecimento do governo brasileiro que o crescimento da economia do país será menor do que o previsto, acende-se uma luz vermelha. E, se não bastasse, a tensão internacional entre China e Estados Unidos vem desestabilizando a moeda internacional, que já mostrou sinais de aumento.
Segundo o Ministério da Economia, o governo revisou as projeções de alta do PIB para esse ano, recuando de mais de 2% para 1,24%. Para Rui Rocha, sócio fundador da Partner Consulting com essa revisão e queda na projeção, fez com que o otimismo do empresariado começasse a deixar de existir, e isso preocupa em muito. “Desde que o novo governo assumiu, não temos nenhuma resposta e nem reação do mercado favorável às mudanças ou mesmo iniciativas de mudanças”, salienta. “Iniciou-se o ano com a expectativa muito grande em relação a mudança do direcionamento econômico e macroeconômico, além de todas as questões de reformas. Mas até então não vislumbramos nada de concreto”, afirma Rui.
Falta jogo de cintura
As diversas promoções de desencontros do atual governo podem prejudicar em muito as negociações da Câmara e no Senado, em relação principalmente a aprovação necessária da Reforma da Previdência. “Não sentimos que há esforço político para isso. Vemos na verdade um grupo de centro dominando e impondo ao governo, que não sabe negociar, situações diversas”, explica Rui. “Falta muito jogo de cintura e relacionamento entre as diversas frentes, inclusive com setores da sociedade”, afirma.
Além da fragilidade da economia brasileira, o impacto da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos vem preocupando ainda mais os empresários. Com O anúncio do aumento da taxação dos produtos americanos pelo líder asiático, desestruturou as negociações na bolsa de valores. “Isso é preocupante, pois além de termos diversas dificuldades domesticas a serem trabalhadas, passamos a ter um componente internacional que não temos quase nada o que fazer”, avalia Rui. “Passamos por uma das piores crises econômicas, com quedas de 3,8% e 3,6% do PIB em 2014 e 2016. De lá para cá o crescimento é pequeno. Com a queda anunciada pelo Ministério da Economia do PIB, a retomada é muito lenta e franca, aumentando o desemprego, limitando consumo e pouco investimento do setor produtivo”, pontua.
Aprovação das reformas
Segundo Rui Rocha a expectativa ainda é de uma reação do Governo Federal, para que o mercado também comece a reagir. “Sinto ainda como se estivessem em campanha eleitoral, buscando cumprir as promessas, mas esquecendo que existe algo maior a ser feito”. Para se ter sucesso em 2019, primeiramente necessita da aprovação das reformas e da continuidade das políticas de privatização, para somente depois liberar crédito para os setores críticos da economia. “Obviamente que isso apenas ocorrerá com o aumento dos investimentos externos no Brasil, o que poderá interferir de forma significativa no comportamento do câmbio brasileiro”, alerta o consultor.
Hoje o empresariado encontra dificuldade de crédito para financiar o crescimento de seus negócios. “A manutenção da política de juros no Brasil está sendo motivadora principalmente pelo baixo índice de inflação. No entanto, uma coisa é certa, a indústria brasileira precisará dar sinais de eficiência, pois o governo quer estimular a competitividade e se não estivermos preparados com certeza perderemos a competitividade para produtos e empresas internacionais. A qualificação da mão de obra e investimento em inovação são formas imprescindíveis que o empresário brasileiro tem para enfrentar a concorrência”, finaliza Rui Rocha.








