Fraude amigável: conhecida no Brasil, modalidade preocupa varejo

Fraude amigável: conhecida no Brasil, modalidade preocupa varejo

A fraude amigável – cometida por pessoas geralmente próximas da vítima e que conhecem seus dados não é novidade para nenhum varejista do e-commerce brasileiro. “As pesquisas mostram que 50% dos brasileiros já fizeram compras pela internet pelo menos uma vez, enquanto este mesmo número é de 98% nos EUA. Realmente, ninguém que vê isso acha que o Brasil pode estar à frente em algo relacionado ao comércio eletrônico. Entretanto, no combate à fraude amigável, o Brasil tem muito a ajudar”, conta Gilmar Hansen, diretor de Produtos da ClearSale.

Gilmar Hansen: Brasil tem muito a ajudar no controle das fraudes.

Diante deste cenário, trocar experiências e informações é fundamental para que até mesmo os mais desprotegidos varejistas possam estabelecer estratégias e definir linhas de ação contra a fraude amigável.

Cenário da fraude amigável

Por ser feita, em praticamente todos os casos, com dados legítimos de bons consumidores, a fraude amigável é mais difícil de ser identificada antes que aconteça. Por isso, é uma modalidade que tem crescido ano a ano.

Apesar de nem sempre ser sinônimo de chargeback, a fraude amigável pode causar prejuízos consideráveis aos varejistas, que acabam se sentindo desprotegidos diante do problema.

E-commerces menores, por exemplo, podem não contar com soluções antifraude, ainda que mais básicas, para tentar diminuir a quantidade de fraudes amigáveis, o que é um grande problema, quando há pouco compartilhamento de informações.

Colaboração é fundamental em casos de fraude amigável

No âmbito da gestão de risco, colaboração é essencial. Varejistas, ainda que concorrentes, precisam entender que a troca de informações e experiências faz com que aconteça um efeito de rede capaz de conhecer a reputação digital dos consumidores e proteger o mercado. Os ataques de fraudadores migram de loja e de segmento, e se as empresas-alvo não tiverem algum mecanismo que permita uma visão ampla desses ataques, estarão sempre um passo atrás dos fraudadores – que se comunicam, e muito.

“O que estamos vendo agora são fraudadores organizados que aproveitam a tecnologia e as estratégias tradicionais de negócios para cometer crimes no mundo digital”, diz Rafael Lourenço, Vice-Presidente Executivo da ClearSale USA.

Obviamente, se os próprios fraudadores se conectam, interagem, trocam informações, etc, não há lógica comercial que justifique a ação isolada e solitária contra os mesmos. A batalha contra a fraude exige um mindset que vai muito além das diretrizes ortodoxas estabelecidas em um momento já superado do mercado, no qual a concorrência era vista como inimiga.

“Cabe a todos os profissionais do e-commerce acompanhar as tendências de fraude, seguir as melhores práticas atuais de detecção e prevenção e compartilhar informações para combater as práticas de rede que os fraudadores aprenderam”, completa Lourenço.

Boas práticas contra a fraude amigável

Outra etapa fundamental do processo de combate à fraude amigável é a adoção de boas práticas de mercado como uma espécie de cartilha de proteção. Investir em soluções robustas de gestão de risco, buscar inovação e melhorias, orientar parceiros e clientes, sinalizar ataques e alimentar o Big Data do ecossistema do varejo são algumas atitudes valiosas nesse caminho.

Um bom empreendedor tem a obrigação de fiscalizar seu próprio negócio, estar sempre atento ao perfil de seus compradores, ao comportamento de compra de cada um deles e aos dados que eles fornecem.

Ao mesmo tempo, o varejista deve estar sempre conectado com o mercado, procurando saber quais categorias de produtos e serviços são mais visadas por fraudadores e buscando dados sobre a fraude. Orientar colaboradores, ser transparente em políticas fiscais e tributárias e mostrar que tem um negócio seguro também são passos que só ajudam a combater a fraude amigável.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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