Saiba quais são os impactos da nova Selic a 2,25% no crédito imobiliário

Saiba quais são os impactos da nova Selic a 2,25% no crédito imobiliário
A queda da taxa básica de juros (Selic) de 3% para 2,25% — menor patamar histórico — anunciada nesta quarta-feira (17/06) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve acirrar a concorrência entre os bancos e aumentar a pressão por redução das suas taxas de crédito imobiliário. Segundo analistas, a Selic pode cair ainda mais antes de encerrar o ciclo de cortes. Diante desse cenário para o crédito imobiliário, será o momento propício para comprar um imóvel?

Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa – maior plataforma digital de crédito imobiliário do país, analisa as oportunidades para o sonho da casa própria, o bom momento para a portabilidade para quem já tinha tomado um crédito mais caro no passado e as possíveis movimentações das instituições financeiras.

Margem para queda do juro é grande

“A nova Selic a 2,25% ampliou de 4,51 para 5,06 pontos percentuais a sua diferença em relação à taxa média de crédito imobiliário efetivamente praticada pelos grandes bancos, que está em 7,31% com base nos contratos fechados por intermédio da nossa plataforma”, explica Sasso.
 
“Essa diferença era de 2,56 pontos percentuais em novembro de 2019, quando a nossa média estava em 7,56% enquanto a Selic marcava 5%. Ou seja, a diferença hoje é bem grande, o que teoricamente pressionaria os bancos a reduzir as taxas de financiamento imobiliário. Porém, essa reação não deve ser imediata, demorando um pouco mais por conta do clima de incerteza provocado pela Covid-19”, prossegue.

“De toda forma, as taxas atuais já são as mais baixas vistas no mercado imobiliário, o que favoreceu o aumento da capacidade de compra dos tomadores, mesmo nesse ambiente de incerteza. Acredito que nos próximos meses, com a retomada da economia pós-pandemia, há maior probabilidade de um repasse mais forte para as taxas de crédito imobiliário”, acrescenta o cofundador da Melhortaxa.

O outro lado da questão é a aproximação do mercado de capitais do crédito imobiliário. Com a redução da Selic, isso deixa espaço para mais investidores quererem esses ativos e isso deve pressionar ainda mais os bancos.

“Desde o início do ciclo de cortes, tivemos momentos de mais ou menos pressão para o repasse da redução da Selic. Agora, a diferença nunca esteve tão alta”, avalia Sasso. O executivo pontua que muitas pessoas podem estar inseguras, aguardando uma eventual queda das taxas por parte dos bancos. Contudo, ele alerta: “Não aconselho às pessoas aguardarem os bancos repassarem as taxas menores para adquirir o imóvel, pois o preço deste pode aumentar e, o que seria uma economia, acaba virando prejuízo. A portabilidade existe justamente para isso: garantir uma segurança para o cliente efetuar o negócio e no futuro, se existirem reduções, ser possível optar pela portabilidade.”

A portabilidade e o momento para a compra

Rafael Sasso lembra que, para quem já vinha se preparando para comprar um imóvel, seja para morar ou investir, e possui reserva financeira para manter os planos, as condições de financiamento hoje são vantajosas e há oportunidades a serem avaliadas, incluindo as novidades nas diferentes linhas (taxas corrigidas pela TR, pelo IPCA e ainda prefixadas). Além da queda da Selic, Sasso avalia que há um cenário de baixa rentabilidade da poupança e da renda fixa, de alta volatilidade no mercado de ações, e de subida dos preços dos imóveis em ritmo abaixo da inflação .

“A queda estrutural da Selic ajudou a intensificar a competição entre os bancos e a destravar a portabilidade do crédito imobiliário e acelerou a entrada de mais fundos e fintechs nesse mercado. Temos acompanhado um volume grande de pessoas interessadas em financiar um imóvel, até pelo fato de nosso fluxo ser 100% online. Mais de 9 . 000 famílias já entraram com pedido de portabilidade na Melhortaxa este ano (em 2019 inteiro foram pouco mais de 6.000), sendo mais de 2.500 só no mês de maio”, explica.

Segundo dados recentes do Banco Central, 570 mil contratos de financiamento imobiliário têm taxas acima de 10% ao ano, uma enorme oportunidade para as famílias reduzirem custos com a portabilidade . “Está havendo uma mudança cultural da população em começar a entender a portabilidade como ferramenta no processo de compra da casa própria com crédito bancário e isso está ampliando a pressão sobre a concorrência bancária”, conclui Sasso.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *