Devido à falta de matéria-prima produtor deve estar atento a compra de máquinas e implementos

Devido à falta de matéria-prima produtor deve estar atento a compra de máquinas e implementos

A pandemia causada pelo coronavírus gerou impacto em diversos segmentos e mercados. Um deles foi o de máquinas e implementos no agronegócio, que passou a enfrentar problemas com fornecimento de matéria-prima. Uma pesquisa online feita pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) avaliou os efeitos dos seis meses da pandemia na indústria, e mostrou que 47% das empresas estão encontrando dificuldades para conseguir insumos, matérias-primas e mercadorias.

Além disso, a pesquisa também apontou que 63% das empresas estão com o estoque baixo, fazendo com que o preço da matéria-prima aumente consideravelmente. Esse estudo realizado na grande São Paulo nos dá uma amostra da situação em todo o Brasil. A MP Agro de Ibaté-SP, por exemplo, fabricante de distribuidores de adubo, é uma das companhias que está tendo dificuldades com os fornecedores: “Começamos a sentir o impacto logo nos primeiros meses após o início da pandemia, mas neste último trimestre a situação tem se intensificado”, explica o diretor presidente, Douglas Peccin.

Demanda aquecida

Um outro ponto de destaque é o grande desafio de atender a forte retomada da demanda vinda do campo, pois com a pandemia, houve uma desaceleração abrupta e a retomada ocorreu da mesma forma, formando um “V”. “Os meses passaram e os estoques em geral acabaram sendo reduzidos a níveis mínimos de operação, o que ocasionou escassez no mercado e reajustes importantes de nossos fornecedores”, aponta, o gerente de suprimentos da MP Agro, Edson Marchetti.

A empresa tem seu sistema de gestão certificado pela ISO 9001 e uma estrutura de planejamento organizado, o que permitiu a garantia da contínua produção durante 2020. “Porém, se essa situação se estender por mais alguns meses, a indústria como todo o mercado, sentirá ainda mais a escassez de produto final na ponta. O cenário está bem incerto em relação ao fornecimento, não sabemos como serão os próximos meses, estamos vivendo um dia após o outro”, complementa ainda o diretor presidente da fabricante.

O que dizem os fornecedores

Há diversas razões apontadas para a situação adversa entre oferta e demanda no Brasil. A alta do dólar, a baixa produção devido à queda da força de produção causada pela diminuição de funcionários nas fábricas, o aumento das exportações em decorrência do câmbio favorável e ainda a normalização da demanda em países onde a doença está mais controlada.

O diretor de compras e qualidade da Suprir, uma das fornecedoras da MP Agro, Lucas Santos, fala sobre o cenário do aço. Segundo ele, o Brasil está vivenciando um momento de grande expansão no consumo, e isso tem acarretado atrasos no fornecimento da cadeia de suprimentos.

“Quando surgiu a pandemia, prevíamos que a recuperação da demanda seria lenta no segundo semestre de 2020, e para nossa surpresa, temos observado uma forte retomada nos últimos meses. Além disso, o segundo lockdown na Europa está sendo feito de forma mais precisa e impactando pouco na atividade industrial”, diz. O que confirma o momento sentido pela fabricante de distribuidores de adubo.

Já o representante da Cordob Indústria e Comércio, Wemerson Ricardo Cano, fabricante de soluções em processamento de chapas metálicas, afirma que houveram vários aumentos a partir de julho de 2020. “Tiveram impacto as bobinas FQ de aço carbono com variações de até 100% dependendo da espessura além, de insumos em geral, como gás, nitrogênio, eletricidade e outros consumíveis”, afirma.

O diretor da MP Agro endossa que mesmo com todas as intempéries enfrentadas esse ano, a empresa não tem medido esforços para cumprir seus compromissos com o cliente, conseguindo manter as entregas. Contudo, segundo ele o abastecimento de matéria prima deve se normalizar somente no final do primeiro trimestre de 2021. “O grande impacto está em nosso cliente que precisa do produto, do maquinário para produzir e não pode perder o time da sua produção, por isso é importante que ele esteja atento e realize suas compras com antecedência para garantir a sua máquina em campo quando for utilizá-la”, relata Douglas Peccin.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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