Endividamento da população traz necessidade de alongar crédito no país

Dividas-pagamentoAo longo do tempo, o brasileiro vem incorporando a cultura do comprometimento de sua renda mensal com pagamento de juros. Mesmo com os esforços do governo federal para reduzir as taxas de juros no país, a realidade demonstra que, em média, esses juros são não apenas muito elevados, como também as linhas de crédito são de curtíssimo prazo. Diante desse cenário, há bastante espaço para o crescimento do mercado de crédito que conjuga longo prazo e taxas de juros menores. Segundo a diretora da Barigüi Companhia Hipotecária, Maria Teresa Fornea,  atualmente o brasileiro enfrenta o problema do alto comprometimento de sua renda com dívida, chegando à média aproximada de 22%. “Ironicamente, o volume de crédito disponível no país é pequeno e tem bastante espaço para o crescimento”, avalia.

Para entender melhor o fenômeno que acontece no Brasil, é importante a análise comparativa do que ocorre no mercado de crédito de outros países, levando em consideração o volume de crédito disponível para pessoas físicas e a posição média de endividamento da população.

Segundo Maria Teresa, enquanto no Brasil o estoque da dívida representa 43% da renda disponível, nos Estados Unidos, por exemplo, esse volume é superior a 120%. Ainda não indo tão longe e utilizando como comparação um país com realidade mais próxima, no Chile o estoque de dívida representa 62% da renda disponível. “O comprometimento médio da população de cada um desses países com dívida é sensivelmente inferior aos 22% da população brasileira, correspondendo a 12% e 18%, respectivamente. Portanto, há mercado para o crescimento do crédito, enquanto a população não tem mais espaço na sua renda mensal”, assinala.

Por conta desse cenário, a diretora da Barigüi Companhia Hipotecária afirma que o brasileiro precisa justamente não só de juros mais baixos, como também de prazos mais longos, fatores que proporcionam a diminuição do comprometimento de sua renda mensal com pagamento de dívidas através da consolidação de linhas de crédito curtas e caras em uma única prestação mensal reduzida.

Ela aponta que as características de prazo longo e de taxas mais baixas são historicamente as mesmas do crédito imobiliário, que ainda representa participação ínfima de 6% do PIB no Brasil, enquanto corresponde a 20% do PIB no Chile, demonstrando a necessidade de desenvolvimento para que o Brasil tenha êxito em sua expansão do crédito. “Cabe ao brasileiro buscar o crédito correto para que deixe de gastar com juros para investir em produção, projetos pessoais e qualidade de vida”, conclui ela.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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