Alta do dólar deixa empresas e consumidores apreensivos
Os preços do dólar voltaram aos níveis de dezembro de 2008, no auge da crise global. No câmbio comercial, o dólar abriu hoje a R$ 2,445. O dólar turismo passou da casa de R$ 2,50 e já afeta os negócios das agências turismo. Tirando os exportadores, que são os únicos beneficiados com a alta da moeda norte-americana, vários setores econômicos que dependem da importação de produtos ou de matéria-prima, estão apreensivos e refazendo cálculos. Com o dólar comercial acima dos R$ 2,40, os consumidores devem preparar seus bolsos. Isso porque do momento em que acordamos até a hora que vamos dormir, sofremos a influência das cotações da moeda norte-americana em relação ao real.
Hoje, por exemplo, mais de 20% dos insumos usados na indústria brasileira são importados, o mesmo ocorre com os fertilizantes, aplicados na produção de alimentos. No caso dos têxteis, 33% são importados e mesmo os que não são, têm seus preços balizados pelo mercado externo.
Quando tomamos banho e escovamos os dentes podemos sentir os reflexos da alta do dólar, pois parte dos compostos químicos do sabonete e do creme dental são cotados pela moeda norte-americana. O delicioso pãozinho do café da manhã também deve subir, já que utiliza farinha de trigo, que em sua maior parte é importada. O café também sofre com as oscilações do dólar. Mesmo que o Brasil produza café suficiente para abastecer toda a população, como o produto é uma comoditie, seu preço é cotado em dólar. O mesmo acontece com o óleo de soja. Também os preços do frango e das carnes vermelhas sentem a alta do dólar. Isso porque os animais são alimentados com milho e farelo de soja, cujos preços são cotados em dólar.
E ainda não estamos contando os combustíveis, os computadores, os celulares, que em grande parte são importados. Portanto, a hora é de cautela. Tanto empresas quanto consumidores devem fazer um bom planejamento antes de realizar qualquer gasto.


